quarta-feira, dezembro 31, 2008

GENTES HUMILDES QUE PENICHE CONHECEU

Por: Fernando Engenheiro
As pessoas a que me vou reportar são por alguns designadas por “figuras tipicas” da nossa terra. Não me apraz esta designação pois prefiro recordá-las como personalidades com um caracter muito forte, muito próprio e muito pessoal.
Isto porque se entende por carácter dum individuo o conjunto de maneiras habituais de sentir e de reagir que lhe são próprias. É o cunho particular que o distingue dos outros indivíduos que, quase
sempre, se deve às influências do ambiente, à educação, à experiência, ao esforço do indivíduo sobre si mesmo e, até, à influência que sobre ele exerce a forma como é encarado na família e no seu meio ambiente, por vezes com desprezo que retribui.
Estas figuras existiram em todos os tempos no nosso País e, sendo Peniche, por força da sua situação geográfica e do desenvolvimento do seu porto de pesca, uma terra de imigração”, aqui afluíram sempre pessoas desamparadas em busca de arrimo na sua luta pela sobrevivência.
Alguns destes indivíduos, muitas vezes maltratados pela sociedade do seu tempo pois eram por ela encarados de uma forma um tanto infeliz: eram designados por “pilantes da Ribeira”. Levavam por vezes uma vida de escravos, a trabalharem para os senhores, em actividades que iam desde o trabalho nas traineiras, quando atracadas, na descarga do peixe ao carregamento para venda fora de Peniche.
Sem tecto para dormirem, tinham o seu dormitório na praia: uma lancha virada de quilha para cima era onde passavam as quatro estações do ano.
Recuando até aos anos 40 do último século, vou narrar o que me possa ser possível recordar lembrando-me de algumas “figuras tipicas” da nossa terra, entre as quais vários indivíduos que sofreram na pele as amarguras a que acima me referi. Para muitos dos nossos leitores as alcunhas serão familiares:
O mendigo conhecido por “MANHOSO” atropelado por um automóvel de Caldas da Rainha, faleceu a 28/1/1942 no Hospital da Misericórdia de Peniche.

“O PIRILAU” - Amadeu Martins Serrão, filho de Joaquim Martins Serrão e de Francisca da Conceição, natural da freguesia de Gradil, concelho de Mafra, de 38 anos de idade, cujo passatempo era fazer soar música à maneira de castanholas, servindo-se do seu próprio queixo auxiliado pelos coutos dos dedos).

O “QUILO E MEIO” - Joaquim da Silva, falecido com 54 anos de idade a 14/4/1954. natural de Caldas da Rainha. Viveu numa albergaria no Matinho.

O “NENE “. Este ainda entre nós e muitos outros do mesmo tipo que, por falta de conhecimentos ou elementos seguros, não me foi possível completar.

Com referência a pessoas tidas como ‘ típicas” afectadas por problemas psíquicos, estou a lembrar-me de:

A “MARIA PANELAS” - Maria dos Remédios, natural de Peniche, falecida com 72 anos de idade a 17/12/1940.
A “MARIA DA CHOUPA” — Que não tinha eira nem beira. Onde lhe dava o sono era onde dormia.
O “BELCHORA Francisco Esgaio Limpinho, solteiro, filho de Elias Periquito Limpinho e de Maria José Esgaio, natural da Nazaré e falecido em Peniche em 7/1/1954 com 30 anos de idade.

A “ELVIRA QUIALHOS” - Elvira de Jesus Quialhos, viúva, filha de Antônio Quialhos e de Rosa de Jesus, natural da Nazaré e falecida em Peniche, com 62 anos de idade, em 29/11/1956.
O “MIMOSO” que também viveu numa abegoaria na antiga Cerca do Matinho.
O “FACHICA” - Francisco Neni, filho de Constança Neni, natural de Peniche, que na última fase da sua vida foi varredor municipal.

A “CAROLINA” - Carolina da Conceição, nasceu em Atouguia da Baleia, faleceu com 58 anos de idade a 6/5/1952. (Os miúdos, ao se aperceberem da sua fraqueza pelo álcool, cantavam, a seguir os seus passos Sim Carolina ó i ó ai sim Carolina ó ai meu bem)

O “ÁGUA LUSA” - Joaquim Feliz Dias, natural de Vila do Bispo, falecido com 56 anos a 20/8/1956. Lutava pela sua sobrevivência com todo o seu’ lado esquerdo praticamente paralisado. Continuava a ser aguadeiro ao domicílio, com um almude de 20 litros na mão direita. Com passo estreito ao longo de algum tempo conseguia chegar ao freguês, que lhe punha 5 tostões (50 centavos) na mão. Tinha sempre uma gracinha malandreca quando as raparigas se metiam com ele.

O “PIO PEJAPES” PIO FATEIXA, natural da Nazaré, faleceu com 58 anos de idade em Peniche. Contava sempre a sua história de se ter livrado do serviço militar, com o nome que ele inventou como sendo o que estava registado no seu registo de nascimento e que repetia apressa mente: “Pio Pejapes, Fateixa, Fatechada, Bengala, Bengalada, Agostinho da Bacora, Fadista da Praia da Nazaré, Numero Trinta e Tantos, Neto do Cagão e primo do Zé Queijadas, Vai Tudo Para a Caldeirada.”

A “VIRGILIA DO AZEITE” - Virgilia Cândida da Silva, solteira, filha de Emídio António da Silva e de Rosalina da Silva, natural de Peniche, onde faleceu com 63.anos de idade a 3/4/1953. Vendia azeite da candonga e revistas como vendedora ambulante, apregoando “Almanaques para este ano, Calendários para o ano que vem”.

A “ESTAQUINHA” - Maria da Consolação, natural de Geraldes, faleceu em Peniche com 68 anos de idade em Dezembro de 1946. Estava estabelecida com seu marido, vendedor ambulante de jornais, na Rua Alexandre Herculano, com venda de guloseimas entre as quais rebuçados com cromos dos jogadores de futebol, rifas que entusiasmavam os mais novos sempre aguardando o “número da bola”.

A “JANUARIA” com os seus gritinhos, sempre que Ihe pediam e que estava disposta para isso.

O “FOZICA” — Rogério Ferreira Foz, filho de António Cordeiro Foz e de Maria da Conceição. Faleceu solteiro com 56 anos de idade, a 10- 01-2001. Os seus prazeres eram o café o cigarro.

O “BIZARROM” - Basilio Bizarro, sempre em estado de embriaguês. Tinha trabalhado em tempos, como emigrante, em Marrocos. Era uma pequena figura que aparentava fragilidade mas, ao nos aperceber-mos um pouco da história da sua triste vida, verificámos ser um pequeno homem com um organismo preparado para as piores intempéries.
Lembro-me de o ver deitado nas valetas em pleno inverno, com a água a apoderar-se dele, com grandes perturbações provocadas pelo álcool.
No dia seguinte já tudo para ele era normal, o seu organismo parecia estar isento de qualquer doença.
Muitas história havia para contar desta pobre alma. Abordava qualquer pessoa, ora nos cafés, ora nas esplanadas, em qualquer recinto público, de volta de quem quer que fosse, quase sempre a falar um francês muito característico dele, para lhe pagarem uma bebida.
Estimado por todos ninguém lhe negava uma bebida, o que acabava por ser inconveniente para ele. No seu trajecto para casa, em direcção a Peniche de Cima, para junto do seu irmão Artur Bizarro com quem vivia numa barraca de madeira, por vezes adormecia pelo caminho em qualquer sitio onde se sentisse bem. Mas não foram estes contratempos que o levaram à morte. Foi uma queda de que resultou a fractura de uma perna, acabando pouco tempo depois por falecer em casa de sua irmã, Hortense Bizarro, residente em Peniche de Cima.

Estou a lembrar-me de uma figura que para nôs é inesquecível, o “GENTIL” Gentil Vicente Henriques - natural de Peniche, filho dum pequeno lavrador que viveu na Travessa do Bom Sucesso. Apôs o seu casamento estabeleceu-se em Torres Vedras com oficina de reparação de velocípedes. Regressou a Peniche e com a mesma actividade estabeleceu-se na rua D. Luís de Ataíde, em espaço próprio. Foi grande amante da tauromaquia e pela sua indumentária habitual trajo de estilo ribatejano - calça de cós alto, jaqueta e chapéu “mazantini” (chapéu desabado), que lhe dava um ar exótico no nosso meio.
Gostava de exibir a andar a cavalo. Todos o olhavam por se apresentar como uma raridade. Compenetrado do seu papel, sempre muito altivo, passeava cavalgando pelas ruas de Peniche. Até então não lhe era conhecido qualquer meio de subsistência. Estava encostado a seus pais. Em 1962 consegue adquirir por compra um cavalo. Com os seus engenhos habituais prepara o animal para puxar carroça e passa a fazer transportes no Verão para a praia do Molhe Leste. Era uma verdadeira animação O transporte naquele veículo de tracção animal. Foi sol de pouca dura. Licenças para a exploração passavam-lhe ao ado e teve que abandonar esta sua actividade.
Com problemas de saúde é-lhe diagnosticada uma doença do foro pulmonar e deu entrada num estabelecimento hospitalar da especialidade. Logo que lhe foi dada alta dos tratamentos regressou a sua casa em Peniche.
Na sua luta pela sobrevivência e procurando um trabalho leve, adequado à sua maneira de ser, resolve ser fotógrafo e começar a tirar fotografias em especial a grupos, com a autorização dos mesmos ou sem que os visados se apercebessem que estavam a ser fotografados. No dia seguinte estava a bater-lhes à porta com a “encomenda” na mão. Alguns não resistiam e adquiriam as fotos, enquanto que doutros (a quem não agradava a sua audácia) não deixou de receber dissabores pouco agradáveis.
Para quem, como eu, o conheceu de perto, tudo o que dizia era com um ar calmo e sempre sério. Lembro-me de uma vez a conversar comigo ele dizer: “Tenho a impressão que ando abusar do meu fisico, o médico avisou-me que não podia agarrar em pesos e esta máquina fotográfica jé pesa 125 gramas. Deus permita que ele não tenha conhecimento disto...”.
Muitas histórias havia para contar desta relevante figura de Peniche. Não quero deixar de contar outra passada na Agência do Banco Nacional Ultramarino em Peniche, no Largo Jacob Rodrigues Pereira onde então esta dependência estava instalada. Ocorreu apôs o “11 de Março de 1975” quando, apôs a nacionalização da banca, na fachada principal da Agência estava colocado um cartaz em pano cru com os dizeres “O Banco do Povo”. O bom do Gentil não esperou pela demora. Dirigiu-se ao balcão, identificou-se como sendo membro do povo e pediu a parte que lhe competia, atendendo a que o dinheiro também era seu. Para quem assistiu foi ocasião para uma valente risada, mas para ele o caso era sério e agiu com verdadeira convicção dos seus direitos.
Por fim, nos últimos anos da sua vida, viveu situações bem amargas. Talvez por se considerar sempre superiore com razão, participou num comício que nada tinha a ver com as suas ideias políticas e levantou a voz contra o que se estava a apresentar ou a discutir. Não lhe perdoaram e foi agredido do que resultou ficar cego do olho esquerdo Ficamos por aqui Seria um nunca mais acabar a descrição da forma de estar na vida do nunca esquecido GENTIL ‘

Outro de quem também nos lembramos com saudade é O “QUICAS
Francisco de Jesus Mimoso. Faleceu em 15/5/2002, com 54 anos de idade. Uma boa alma, com os seus problemas psíquicos, respeitado e querido por todos. Por onde passava todos se metiam com ele, em troca pedia sempre um “estão” (tostão) e só aceitava moedas pretas. O seu passatempo especial era acompanhar funerais em Peniche, de todas as classes sociais, sem saber de quem.
Com os mesmos problemas de saúde tínhamos O “MARAES” - bem conhecido no nosso meio e também recordado com saudade. Toda a gente o conhecia pela sua alcunha mas o seu nome completo era Mário de Oliveira Costa. Nascido em Lisboa, na Freguesia do Socorro, em Dezembro de 1907 e faleceu em Peniche. Era estimado por todos, em especial pelos seus familiares que o aceitavam tal qual como ele era.
Não posso deixar de me referir ao Sr. Florindo Gaspar, que exerceu a actividade de sapateiro, figura de grande fragilidade intelectual que se deixava ir na onda daquilo que lhe diziam. Acreditava em tudo e em todos. O seu maior sonho era cantar na rádio. Conhecida a sua grande ambição, a rapaziada de então, que o estimava, fazia-lhe partidas relacionadas com a sua grande vontade de se apresentar em público. Acredito que todas as brincadeiras eram fruto da grande dedicação e extrema amizade que toda a gente lhe tinha.

Menos sorte teve um outro personagem bem conhecido no nosso meio O “CARAMBINHA”, sempre satisfeito e bem disposto para com todos os que se metiam com ele. Pessoa de físico frágil, foi trágica a sua morte, motivada por um atropelamento ocorrido na Estrada Nacional 114, junto ao Bairro do Fialho. Alguém o matou, numa noite escura com pouca iluminação, não parando o carro causador da ocorrência e abandonando o corpo no meio da estrada. Poucos terão sido os carros que se desviavam convencidos que seria qualquer cão vadio, atendendo ao seu pequeno corpo. Na manhã seguinte os Bombeiros Voluntários limitaram-se a recolher pequenos fragmentos humanos espalhados ao longo da estrada, com uma simples pá e uma vassoura.
Falo agora do “ZÉ CHAVIOTA” - José Trindade, marítimo, natural de Peniche. Com pouco mais de 50 anos de idade, antecipou a morte pelas suas próprias mãos, por suicídio. Homem franzino. figura frágil, enrugado pelas amarguras que o tempo lhe ofertou, sempre bem disposto e pronto a uma laracha para quem quer que fosse. Não olhava a meios com as suas atitudes irónicas que lhe eram características. Seria um nunca mais acabar a narração das histórias passadas que fizeram parte da vida do inesquecível “Chaviota”.

Lembro uma, bem conhecida no nosso meio: a batata pintada de alcatrão, disfarçada de bomba”: Para pessoalmente saber até que ponto estava seguro o edifício-sede da Casa dos Pescadores com o pessoal que là trabalhava, chegou ali um dia com um objecto negro na mão, um pequeno volume que tinha um pavio colocado. Alertou o pessoal da secretaria dizendo que era uma bomba, que iam morrer todos, excepto o escriturário José Ablum, que era seu amigo. A este deu logo facilidades para fugir. Os outros, na impossibilidade de escaparem, pois que o suposto bombista servia-lhes de obstáculo barrando a saída só tiveram uma solução: atirarem-se para debaixo das secretárias onde trabalhavam ou então, os mais ligeiros, saírem pelas janelas de acesso à rua.
Acabou por se sentar a rir és gargalhadas e a chamar-lhes os piores nomes que lhe vieram a cabeça, dizendo por fim que estávamos bem servidos de homens valentes na Casa dos Pescadores “para servirem numa guerra contra o inimigo”. Todos com medo de uma batata!

Não posso dar este meu trabalho por completo sem falar do “MALAMILAS” de seu nome completo Joaquim da Silva, que faleceu aos 43 anos de idade, morte provocada em parte por escoliose do figado (cirrose) mas também pelos maus tratos que a vida lhe deu. Não falar do
“MALAMILAS” seria uma falta da minha parte.
Natural de Peniche, era filho de pal incógnito e de Maria da Conceição Silva. Desprotegido pela sorte, foi toda a sua vida urn servidor do próximo na luta pela sua sobrevivência. Por amiudadas vezes ao longo da sua vida foi bagageiro, servindo as empresas de camionagem de transporte de passageiros que terminavam as suas carreiras em Peniche, mas o que mais o caracterizou foi a sua humilde vida
de “ardina”. De sacola às costa, sem qualquer pregão fazia chegar a qualquer freguês noticias frescas do país e estrangeiro, por falta de outros meios de comunicação. Ao que nos é dado a conhecer foi o MALAMILAS o último ardina que Peniche teve ao serviço dos seus habitantes na entrega ao domicilio dos jornais diários.

Aproveito o ensejo para também falar humilde que habitou na ilha da Berlenga como guarda da Fortaleza.
Filho de José Morgado e de Leonor Ribeiro Morgado era natural de Vila Velha de Rodão (distrito de Castelo Branco) e faleceu em Peniche, no Hospital da Misericórdia, com 69 anos de idade a 21 de Maio de 1951.
Na sua história, a fixação de residência na ilha da Berlenga teve origem num desgosto que sofreu, provocado pela sua namorada. Luís Morgadio assentou praça no cumprimento dos deveres militares e, ao regressar à terra apôs a passagem à disponibilidade, com o seu dever cumprido, constatou que a sua predilecta, a futura esposa que ele tanto amava, jé se tinha consorciado com outro.

Reuniu os seus familiares mais próximos dizendo-lhes que la partir para parte incerta, na certeza porém de que nunca mais ninguém o via ou recebia noticias suas. Na época poucas eram as pessoas que frequentavam aquela ilha. Por ali viveu longos anos sem se deslocar a Peniche. Sentia a dor da vida que pretendia e não conseguiu realizar, fazendo da ilha da Berlenga o seu refúgio de clausura, de porta aberta.
Ficamos por aqui, com as histórias destas personagens. Muito e muito mais havia para contar. Não me querendo alargar mais recordando estas figuras simples que Peniche conheceu lembro só mais alguns, que seria injusto não referir: O Benvindo, sempre com o seu dito: “Todos me dão...”; o Joaquim Lamachorra (sempre com o seu passo apressado); o Zé Malino (guardador de gado); a tia Carreirinha (sempre apressa da na sua luta afazer recados); o Eduardo (de latão à cabeça, servindo” de transporte de peixe nos pequenos fretes que fazia às vendedoras de peixe); o Zé de Ferrel (almocreve, de canastras ao ombro transportando peixe em contrabalanço); o Zé Pá Terra; o Piruça; o Rabaneta; o Ripipiu; o Gata; o Cuyabà (Antônio Neto de Almeida), nascido a 23/3/1938 e falecido a 16/7/2008, alma pura, sem qualquer pretensão na vida, viveu sempre na maior das calmas. Sempre o conhecemos tendo como passatempo a apanha de lapas para satisfazer as encomendas que lhe eram pedidas.

N.B. Com este meu trabalho quero prestar uma singela home- nagem às gentes humildes que Peniche conheceu e recorda, personalidades das quais uma grande parte sentiu na pele as amarguras da vida, a falta de afecto, de carinho, tantas vezes a ausência de qualquer ambiente familiar. Talvez, em toda a sua vida, alguns não se tenham sentido felizes um dia só que fosse. Seres humanos que muito sofreram ao longo da sua vida. Que Deus se compadeça das suas almas

quinta-feira, dezembro 25, 2008

terça-feira, dezembro 23, 2008

Um feliz Natal

The Nativity 1597Oil on canvas, 134 x 105 cmMuseo del Prado, Madrid

terça-feira, dezembro 16, 2008

sexta-feira, dezembro 12, 2008

QUEM FOI O DOUTOR FRANCISCO SEIA

Por: Fernando Engenheiro
Das mais antigas famílias de Peniche duas árvores genealógicas - a de apelido “MONTEIRO” (de que se conhecem elementos a partir do século dezasseis) e a de apelido “SEIA” (ou CEIA) entroncaram-se na década de 60 do século dezanove com o casamento de José das Neves Seia, nascido em 1839, com Basilina de Jesus Monteiro, nascida jé na decada de 40 do mesmo século.
Deste enlace matrimonial nasceram os seguintes filhos:Francisco Maria Monteiro Seia, Amélia da Natividade Monteiro Seia e Angelina de Purificação Monteiro Seia. Seu filho varão, FRANCISCO MARIA MONTEIRO SEIA, nasceu em Peniche a 13/12/1873, na casa de seu avô, Anacleto Luís Seia, situada na antiga rua do Espírito Santo, junto à Igreja de S. Pedro do lado sul, próximo da porta lateral do referido templo. Na mesma casa nasceram suas irmãs.
Na idade própria frequentou a escola primária, então a cargo do mestre José Augusto dos Santos, nomeado por despacho da Direcção Geral de Instrução Pt de 20/10/1870 para a cadeira do I° grau, com “provimento vitalício”. Na época toda a actividade escolar em Peniche era exercida em espaços que foram dependências da Ordem Terceira de S. Francisco, anexas à extinta capela de Santo António do Portinho (junto ao actual Largo de Santo Antônio e Rua José Estevão).
Seus pais, com poder econômico, família abastada para a época (é de notar que, como negociante, já pagava 35$440 réis de imposto - a chamado quota de contribuinte) com todas as possibilidades, sem barreiras e possivelmente por se aperceberem das suas qualidades e do seu bom aproveitamento escolar, resolveram proporcionar a seu filho a continuidade dos estudos que lhe permitissem obter um curso superior. Naquele tempo, no campo dos estudos académicos, as filhas raramente iam além do que aprendiam nos bancos da escola até ao segundo grau da instrução primária, embora enveredassem por ensinamentos noutros campos.
Foi o que aconteceu a D. Angelina e D. Amélia, alunas da Escola de Desenho Dona Maria Pia, em Peniche, onde tiveram como professora e directora D. Maria Augusta Bordalo Pinheiro, figura das mais notáveis da sociedade portuguesa do século dezanove no campo das artes. D. Angelina, em especial, foi uma boa pintora de arte, desenhadora para rendas de Peniche e bordados diversos, além de notável rendeira (ou rendiiheira). Além desta sua arte tornou-se uma notável pianista no seu meio.
Francisco Maria, ainda muito novo, apôs o segundo grau da instrução primária, vai para Lisboa, matricula-se na Escola Politécnica e passa a frequentar aquele estabelecimento de ensino. Estava ao abrigo da Lei pois, a partir do ano de 1860, todos os alunos eram obrigados a ter a quarta classe para ingressarem nos liceus.
Na idade própria do cumprimento dos deveres militares, pelo atraso que o recrutamento lhe provocaria para o final do curso, a incorporação foi adiada a seu pedido por acordão do Juiz de Direito da Comarca das Caldas da Rainha de 4/5/1894, com documento justificativo em como era aluno da Escola Politécnica de Lisboa.
Ainda no último lustro do século dezanove, recebeu das mãos de Luis de Almeida Albuquerque, lente proprietário da décima cadeira e Director da Escola Politécnica de Lisboa, o diploma do seu curso de medicina, pronto a desempenhar as suas funções como médico de clinica geral.
O Doutor Francisco Seia, não quis ficar por ali. Queria tirar a especialidade a que actualmente a medicina dà a designação de otorrinolaringologia. Em Portugal na época não havia o estudo daquela especialidade. Com o aval de seus pais, desloca-se para o império alemão e em Berlim concretiza o seu sonho. Algum tempo depois regressa ao nosso país com o canudo na mão. Francisco Seia, realizado o seu sonho, instalou o seu consultório em Lisboa, onde obteve grande êxito e prestigio com grande elevação na sociedade lisboeta e outras que conheciam elevado grau de qualidade do seu trabalho.
Actuou com muita dedicação nas instalações do instituto Nacional de Assistência aos Tuberculosos e outros estabelecimentos hospitalares, sendo figura de destaque perante a Rainha D. Amélia de Orleães, esposa de El-Rei D. Carlos I de Portugal. Foi, até à implantação da República, visita particular dos soberanos que muito o admiravam e o prendavam com objectos da autoria da própria Rainha.
Já no dealbar do século XX, aos 30 anos de idade, decide constituir familia. É no Verão de 1900 que conhece em Peniche Maria Luiza Alves do Rio, natural da freguesia de Ajuda, da cidade de Lisboa, filha do industrial e comerciante Manuel Pinto Alves do Rio Jt e de D. Maria Miquelina Pinto Martins, residentes temporariamente em Peniche. Aqui se encontrava sempre acompanhada por sua mãe e por sua irmã Maria Emilia Alves do Rio (que casou pouco depois com o Doutor João Baptista Frazão, que se tornou um conceituado médico em Peniche). Eram senhoras distintas, conhecidas na sociedade da época por “meninas de salão”, com qualidades apreciáveis que, como era usual, “tocavam piano e falavam francês” e que se destacavam no ambiente em que viviam.
Depois do seu matrimônio continuou, agora com sua esposa, com residência a tempo inteiro na capital, embora sempre que lhe era possível, o que acontecia amiudadas vezes, visitasse a sua terra natal onde possuía a sua segunda residência na casa que o viu nascer, além de vastas parcelas de terreno de cultivo em actividade, o que obrigava à sua presença em época de colheita.
Além de médico via-se assim, na obrigação de ser também lavrador, em face de bens herdados de seus familiares.
É prova disto o testamento feito a seu favor; em 22/4/1918, pelo seu tio José do Nascimento Monteiro, solteiro, de 72 anos de idade, irmão de sua mãe, pelo qual recebeu uma vasta área de terreno situada na zona designada em parte por “Matinho” e que mais tarde, até à sua venda à Câmara Municipal, foi conhecida por “Cerca do Dr. Seia”.
Por longos anos, com procuração do Município de Peniche, foi seu representante junto do Poder Central nos actos mais diversos. Peniche e seu concelho muito lhe devem pela sua luta perante os governos de então pelo contributo a dar à assistência, pela comparticipação nas obras da electrificação em 1929, nos primeiros estudos para o abastecimento de água, nos primeiros estudos para os trabalhos do Porto de Pesca e tantos outros não menos importantes que muito engrandeceram o nosso Concelho.
A sua presença em Peniche em actos solenes era imprescindível. Todos viam o Doutor Seia como uma personalidade merecedora de elevado apreço, todos reconhecendo o seu bairrismo e a inteligência que generosamente colocava ao serviço da sua terra.
Aos 54 anos de idade, a 17/10/1928, quis vincular a presença do seu amor a Deus, pedindo a sua inscrição como irmão da Santa Casa da Misericórdia de Peniche à Comissão Administrativa daquela Instituição. Ao que nos foi dado a conhecer assinalou a sua admissão com a oferta de peças em prata que a instituição vendeu e que renderam cinquenta contos de réis, o que na época era uma importância considerável.
Aos 61 anos de idade, na sequência de uma visita feita a um doente seu, em plena noite invernosa de Janeiro, satisfazendo pedido urgente de um familiar do enfermo, não se acautelando com agasalho próprio para a intempérie nocturna, foi acometido por uma pneumonia que, pouco tempo depois, com o enfraquecimento do seu organismo, não o deixou por muitos dias a lutar contra a morte, vindo a falecer a 14 de Janeiro de 1936 na sua residência em Lisboa, na Rua da Junqueira, n°317.
Em Peniche, ao ser conhecido o falecimento do Dr. Seia, notícia dolorosa para todos os penicheiros, repicaram os sinos das três freguesias, anunciando infausto acontecimento.
A seu pedido o corpo foi trasladado para a sua terra natal, para junto de seus pais no Cemitério de Santana desta então Vila de Peniche. Chegaram seus restos mortais no dia seguinte , com paragem na igreja Paroquial de S. Pedro, sua freguesia de nascimento, onde foram celebradas as exéquias fúnebres.
Peniche esteve de luto naquele dia. A bandeira do Município foi hasteada a meia haste no edificio dos Paços do Concelho e todo o comércio encerrou as suas portas para prestação de uma última homenagem acompanhando o féretro transportado na carreta da Santa Casa da Misericórdia, puxada a varola por dois irmãos daquela instituição.
Logo na sessão camarária que se seguiu ao falecimento, realizada a 20 de Janeiro daquele ano, foi lavrado em acta um voto de pesar pelo passamento do Doutor Francisco Seia.
Na sessão seguinte, a 27 de Janeiro, a Edilidade, como testemunho de sincera dedicação à memória do Doutor Francisco Seia, deliberou, por unanimidade, arrear as placas toponímicas com o nome de Luís de Camões existentes na rua onde nasceu aquele ilustre penicheiro, para em seu lugar fosse colocado nome “Doutor Francisco Sela”, perpetuando assim a sua memória, e que à rua a construir para o mercado municipal fosse dado o nome de “Rua Luis de Camões”.
Também o clube recreativo Penichense lhe prestou uma sentida homenagem com o descarregamento de uma fotografia do seu socio fundador “ Doutor Francisco Seia” numa parede da então sala da biblioteca daquela Colectividade.
O Municipio de Peniche, agradecido, quis ir mais além nos testemunhos da sua gratidão edificando um mausoléu para repouso eterno dos restos mortais do Doutor Francisco Seia. Assim, por deliberação camarária de 4/3/1937, foi resolvido abrir concurso para a construção desse mausoléu no Cemitério Municipal de Santana, de acordo com um projecto elaborado pelo Arquitecto Eugénio Correia.
A empreitada de fornecimento e assentamento do mausoléu foi adjudicada ao construtor Eduardo Sebastião Jorge, pela importância de sete mil escudos, como consta de deliberação camarária de 7/10/1937.
Logo de seguida, numa breve cerimônia, procedeu-se à transladação dos seus restos mortais, depositados provisoriamente no jazigo da família “Monteiro de Proença”, seus parentes, seguindo-se a inumação no novo mausoléu, que se encontra localizado no centro da rua principal do referido cemitério.
Sua esposa, D. Maria Luiza Alves do Rio Monteiro Seia, sobreviveu ainda pouco mais de 7 anos, vindo a falecer na sua residência em Peniche com 62 anos de idade, a 2/7/1944.
Jazem juntos no mausoléu, com os restos mortais de outros familiares.
Não deixaram herdeiros directos. D. Maria Luiza fez seu testamento legando as suas jóias à Santa Casa da Misericórdia de Peniche e à Irmandade de Nossa Senhora das Dores, da sua freguesia de Belém, da cidade de Lisboa. Do produto da sua venda, dividido em partes iguais, coube a cada uma das duas instituição a quantia de 6.660$00. A Misericórdia de Peniche destinou esta importância ao aumento, em ocasião própria, do valor de um título de rendas perpétuas. Outros bens foram divididos por seus sobrinhos.

NOTA — Agradeço reconhecidamente a colaboração dada para este trabalho pela Senhora D. Angelina Monteiro Seia, sobrinha-neta do Doutor Francisco Seia, distinta pianista, que seguiu os passos de sua avó paterna Angelina da Purificação na arte de dedilhar as teclas do piano na execução de belas peças musicais.
Peniche, Novembro de 2008.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Memórias da Imigração Portuguesa em França V

Também se ia a bica, em 1964, na região parisiense

Dois imigrantes portugueses, em 1965, num bairro da lata, região parisiense


Também nos anos 60, sem comentários...........
Fotografias Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

domingo, novembro 30, 2008

Memórias da Imigração Portuguesa em França IV

Março de 1965, sala de espera da estação de Hendaye, imigrantes portugueses.

Paris 1965 estação d'Austerlitz chegada de imigrantes Portugueses.
Provavelmente em 1965, viagem de comboio para Paris, quanto as condições é sem comentários.

Fotografias do site de: Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

sobre a emigração para França entre 1950 e 1974 http://aurevoirportugal.blogspot.com/2009_12_01_archive.html

quinta-feira, novembro 27, 2008

Memórias da Imigração Portuguesa em França III

Inverno (ou inferno) 1964 na região parisiense, imigrante português levando o carvão para o aquecimento.

Sem comentários: Champigny 1964

As caixas do correio: Champigny 1964

Fotografias do site de: Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

sexta-feira, novembro 21, 2008

Memórias da imigração Portuguesa em França II


Aqui temos a chegada ao Hotel Ritz, 5 estrelas claro, quartos com jardim privativo, e a familia em Portugal a pensar que eles iam viver pras BARRACAS, era mesmo o paraíso “antigamente é que se vivia bem” hoje esta tudo em crise!!!!!!


E como sempre os portugueses não têm educação nenhuma, num Hotel 5 estrelas, chama-se o serviço apropriado , lavar e estender a roupa no quarto com jardim privativo, claro que dá sempre um mau aspecto, hoje vivem na maioria em casas confortáveis, não tinham classe para viver nestes hotéis para gente chic!!!!

Fotografias do site de: Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

quinta-feira, novembro 20, 2008

Quem foi o doutor Bonifácio da Silva

Por: Fernando Engenheiro
De seu nome completo JOSÉ Bonifácio DA SIL VA era natural de Vale de Prazeres, Concelho do Fundão, diocese e distrito Administrativo de Castelo Branco. Nasceu a 14 de Outubro de 1886, filho de Joaquim Bonifácio da Silva, de profissão ferrador, e de Joana Caetana, governanta da sua própria casa, também na- turais da freguesia de Vale de Prazeres, nela recebidos na paroquial de São Bartolomeu, onde este seu filho recebeu na pia baptismal, a 7 de Dezembro do mesmo ano, o nome de “José” pelo presbitero coadjutor daquela freguesia.
Residentes que foram na Rua Direita daquele lugar, ao que nos é dado saber, foram frutos do seu matrimônio além do José Bonifácio, Antônio Bonifácio da Silva, que seguiu a vida e e Luís Bonifácio da Silva.
Prestes a completar os 19 anos de idade, José Bonifácio ofereceu-se como voluntário para o cumprimento dos deveres militares, por antecipação, no Regimento de Cavalaria n°4. Ali foi incorporado a 2 de Outubro de 1905, servindo no efectivo até 2 de Setembro de 1913. Assim, neste espaço de tempo serviu o governo da Monarquia e o governo da República.
Frequentou na Universidade de Coimbra o Curso Geral da Faculdade de Medicina e alcançou aprovação nos exames e provas a que pela organização da respectiva Faculdade era obrigado obteve o grau de Bacharel em 14 de Julho de 1916, aos vinte e nove anos de idade.
Estava-se na época em plena 1° Guerra Mundial (1914/1918) e, embora o nosso Pais não estivesse liga do aos primeiros acontecimentos que originaram toda a tragédia, bem podia vir a ser envolvido no conflito - como aconteceu - atendendo à nossa aliança com o Império Britânico.
O Doutor José Bonifácio, por decreto de 25 de Agosto de 1916, foi promovido a alferes médico miliciano e no dia seguinte, para efeitos de mobilização, é colocado no 2°Grupo de Companhias de Saúde em Coimbra. Embarcou para França, fazendo parte do 2° Batalhão do 7 Regimento de Infantaria n°2, em 27 de Maio de 1917. Já em plena missão foi promovido, em 24 de Setembro, a tenente médico miliciano.
No regresso de França, desembarcou em Lisboa em 12 de Fevereiro de 1918, com a sua missâo cumprida. Foi condecorado com a Medalha da Vitória, com Estrela de prata sobre a faixa da Medalha da Vitória.
Ao regressar à vida civil, desamparado, sem em prego, concorreu a um lugar na Câmara Municipal da Chamusca. Ali foi colocado a exercer as funções de médico municipal na freguesia de Pinheiro Grande. Não satisfeito, pouco tempo depois, na sequência de concurso público, o Dr. José Bonifácio da Silva toma posse do cargo de médico interino do 2. partido médico do Concelho de Peniche, com sede nesta Vila, em 13 de Setembro de 1918.
Chegou a Peniche solteiro, sem qualquer companhia familiar, e instalou-se numa casa particular na Rua Marechal Gomes Freire de Andrade.
Sentindo necessidade de formar familia a sua escolha recaiu numa filha de Luis Maria Freire de Andrade, pessoa que na época se encontrava à frente dos destino do Municipio e cuja casa certamente visitava.
Assim, a 23/1/1919, na capela particular da casa da tia da nubente, D. Isabel Maria Godinha Tavares, situada na Rua Alexandre Herculano (prédio onde hoje existe o Café Aviz) em Peniche, por uma provisão do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Neto, foi celebrado o seu casamento, aos 32 anos de idade, com D. Maria das Dores Godinha Tavares Freire de Andrade, de 21 anos de idade, nascida em 1897 na freguesia de Nossa Senhora da Ajuda em Peniche
Seus sogros eram Luis Maria Freire de Andrade, conceituado comerciante e proprietário em Peniche, donde era natural, e D. Balbina da Purificação Godinha Tavares, natural da freguesia de Santa Justa e Rufina da cidade de Lisboa.
Foi presbitero assistente neste enlace matrimonial o Pároco de Fatela e irmão do conjugue, Padre António Bonifácio da Silva.
Atendendo à s situação dei ao serviço do Municipio de Peniche, esteve ainda por algum tempo ligado à Câmara Municipal da Chamusca.o seu casamento teve curta duração – não foi além de 4 anos - por falecimento de sua esposa, a 22 de Fevereiro de 1923, na freguesia de Belas, do Concelho de Sintra (obito 133/1923-Sintra).
Naquele espaço de tempo nasceram duas filhas: Maria Teresa Freire de Andrade Bonifácio da Silva e Maria do Carmo Freire de Andrade Bonifácio da Silva.
As crianças foram criadas por uma empregada de nome Gertrudes, natural da Serra do Calvo, do Concelho da Lourinhã, que as criou com o maior afecto permanecendo naquela casa até se finar.
Já viúvo, a 4 de Agosto de 1923, o Dr. Bonifácio toma posse em Peniche do lugar de médico municipal das freguesias rurais, com sede em Atouguia da Baleia, em substituição do Doutor José Nogueira Pereira Lobo, em actividade desde 3/9/1912.
Com o vencimento anual de sete mil e duzentos escudos, manteve-se ininterruptamente no exercício destas funções até ao dia 11 de Janeiro de 1937, data em que foi exonerado a seu pedido por se considerar incurso no art. 473 do Código Administrativo de 1936, ficando em sua substituição, interinamente, o Doutor João José Pita da Silva.
A sua exoneração de médico municipal tornava-se imprescindível para o exercício do cargo que viria a exercer de Sub-Director Médico da então Colonia Correcional de S. Bernardino.
Ainda antes, apôs a Constituição Politica de 1933, estava a exercer a convite do Governo Civil do Distrito as funções de Presidente da União Nacional Concelhia, lugar a executar pela alta confiança do Poder Central. Por algum tempo deixou esta actividade para assumir a Presidência da Câmara Municipal de Peniche no espaço compreendido entre 27/11/1941 e 8/2/1945.
Alma beirã, culto e de prestigio, a sua actividade muito contribuiu para o progresso deste Concelho.
Lembro aqui que nas décadas de 30 e 40 assumiu os cargos de Presidente da Direcção da Caixa de Crédito Agrícola Mutuo de Peniche e de Presidente do Gré mio da Lavoura de Peniche, mantendo a sua actividade profissional como Director Clínico da Cadeia do Forte de Peniche e como Clínico Geral da Casa dos Pescadores.
Apôs a passagem de testemunho como Presidente do Municipio para o Comandante José da Motta Coutinho Garrido, reassumiu o cargo político de Presidente da União Nacional Concelhia, onde se manteve até aos últimos dias da sua vida, sendo depois substituído por José da Conceição Fernandes Bento, comerciante e proprietário em Peniche.
Não posso deixar de referir a sua contribuição para o desenvolvimento local como um dos fundadores do Instituto D. Luís de Ataíde, estabelecimento de ensino secundário particular criado a partir de 1934 no rés-do chão do edificio dos Paços do Concelho e transferido em 1937 para um edificio solarengo situado na antiga Rua do Cais, actual Avenida do Mar onde funcionou até ao ano lectivo de 1951/1952.
Foi durante largos anos Director e grande entusiasta deste estabelecimento de ensino que muito serviu sucessivas gerações de jovens penichenses até à criação do ensino secundário oficial na Escola Industrial e Comercial de Peniche.
Além de outros cargos, desempenhou até se finar funções como membro do Conselho Municipal de Peniche.
Ainda hoje é bem lembrada a sua actividade como lavrador, pois bastante se dedicou à agricultura na vasta propriedade designada por “Quinta da Granja”, situada entre Peniche e Atouguia da Baleia, onde nos últimos anos da sua vida ocupava grande parte do seu tempo.
Aos 60 anos de idade, depois de muitos anos no estado de viúvo, celebrou o seu segundo matrimônio com Dona Isabel Ribeiro Artur, solteira, de idade idêntica, filha de um antigo oficial militar que serviu em Peniche e por cá fixou residência, o General Bartolomeu Sezinando Ribeiro Artur, e de sua esposa Dona Maria da Costa Ribeiro Artur.
Faleceu na sua residência, na Rua Alexandre Herculano, acompanhado de sua esposa, a 28 de Janeiro de 1967, com 80 anos de idade, apôs prolongado sofrimento.
Foi figura de grande destaque e da maior simpatia, quern Peniche muito ficou devendo.
A Câmara Municipal de Peniche, por deliberação unânime tomada em reunião de 18 de Julho de 1994 quis perpetuar a sua memória com urna singela homenagem atribuindo o seu nome a uma artéria desta Cidade.
Trata-se do arruamento que liga a Rua do Lapadusso à Rua Cabo Avelar Pessoa, paralela à Rua de Sant Cruz e imediatamente a Poente desta.
Peniche, Outubro de 2008

quarta-feira, novembro 19, 2008

A Ceia de Zé, vista por: Bordalo Pinheiro

Representação da última ceia – Tendo o zé povinho como jesus cristo e os apostolos como os notáveis do partido regenerador ( a esquerda) e do partido progressista (à direita); Fontes Pereira de Melo, o quarto a contar da esquerda é representado como judas e tem do seu lado o próprio rei D. Luís. O desenho vai originar uma querela que levará Bordalo a barra do tribunal.


Em 2008 é tudo diferente !!! O povo é tratado como um Deus, quando chegam as eleições, claro, depois torna-se um diabo, é por isso que é maltratado pelos politicos, nacionais e também REGIONAIS.

terça-feira, novembro 18, 2008

Memórias da Imigração Portuguesa em França I

Imigrantes Portugueses nas Barracas de Saint-Denis em 1967


Barracas de Champigny 1964, corte de cabelo.


Isto é que eram condições de vida confortáveis, não era! Muita gente em Portugal pensava, e infelizmente ainda pensa, que aqui era o paraíso, mas se isto era o paraíso, o que seria o Inferno!

Fotografias do site de: Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

segunda-feira, novembro 17, 2008

Na Aula da Parreirinha Bordalo Pinheiro

Lição de ditado- No regime de liberdade de imprensa que felizmente vigora, os jornalistas podem lebirramente escrever ... o que o sr juiz Vega lhes dicta.

Hoje os jornalistas têm mais liberdade?

domingo, novembro 16, 2008

Portugal na Guerra de 1914-1918

O abraço da despedida: O Século Lisboa 16 de Novembro de 1914


No dia 11 de Novembro foi celebrado o 90° aniversário da assinatura do tratado de paz, o armistício.
Conflito em que participaram cerca de 100 000 portugueses, no qual, 4000 morreram, embora em número de vitimas seja uma gota de água em relação aos outros paises, é de nunca esquecer que este conflito foi um dos mais horríveis na memória da humanidade, os únicos vencedores foram os fabricantes de armas e os bancos, como em todas as guerras, se Deus existe que faça com que nunca mais se reproduza uma barbaridade deste tamanho, que infelizmente se tornou a repetir em 1939 45.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Quem foi António de Matos Leitão

Por: Fernando Engenheiro
Seu pai, ADELINO Leitão , nasceu em Peniche, na freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, a 10/1/1889, e faleceu com 77 anos de idade, a 20/1/1966, em Peniche, onde jaz sepultado no Cemitério Municipal. Era filho de Rufino Leitão, marítimo e de Gertrudes da Piedade, rendeira (ou rendilheira) naturais da mesma freguesia, onde sempre residiram, mais propriamente em Peniche de Cima.
Com ligação à vida marítima desde a sua infância, seguindo os passos de seu pai, Adelino Leitão ao completar a idade própria para servir nas fileiras do exército, passando ao lado das primeiras letras no ensino primário, foi presente a inspecção sanitária sendo lhe atribuído o número 1 de 1909 da freguesia de Nossa Senhora da Ajuda por onde foi recenseado. Resultou do seu exame ser considerado apto para todo o serviço militar e destinado a Infantaria - 2° reserva.
Eram tempos difíceis. Da época que correspondeu ao cumprimento dos seus deveres militares resultou que ingressando ainda para servir a então Monarquia acabou, depois de 5/10/1910, por servir já sob o governo na República Portuguesa.
Aos 23 anos de idade, a 7/10/1911 , na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Ajuda, freguesia onde nasceu, é cele brado o seu casamento com Cristina da Conceição, rendeira (ou rendilheira), de 21 anos de idade, filha de Joaquim Luis Pacheco e de Gertrudes da Encarnação, também naturais da referida freguesia, bem como sua filha.
Como tripulante e mestre de caíques nesta praça, com conhecimentos de navegação, teve oportunidade de, a partir de 1913, ingressar como patrão do primeiro barco salva-vidas de Peniche de Cima, instalado numa estação abarracada na Praia do Ingueiro, também conhecida por “Praia do Quebrado”.
Aí actuou com grande sucesso, na sua postura como “Lobo do Mar”, em salvamentos de naufrágios nos mares de Peniche de Cima de embarcações dos mais diversos tipos tais como galeotas, traineiras, lugres, carques, chalupas e outras.
Mas o mais destacado naufrágio em cujo resgate participou ocorreu em 2/12/1924. Tratou-se da “chalupa” registada com o nome de “Venturosa” (pequena embarcação portuguesa de um só mastro) em que, depois de conseguir colocar em terra firme toda a tripulação, voltou novamente ao barco, já destroçado pelo forte temporal que assolava toda a zona, para salvar o cão, companheiro da tripulação nas suas viagens, saindo vitorioso desta nobre causa.
Ao longo da sua carreira como patrão do Salva-Vidas foi por algumas vezes medalhado pelo Instituto de Socorros a Náufragos, motivo de grande orgulho para os seus descendentes e outros membros da sua familia.
Nasceu o seu primeiro filho, Joaquim leitão, a 12/2/1913 o quai foi baptizado no dia 23 do mês seguinte.
O segundo filho, José, durou pouco mais de 13 meses, vindo a falecer a 13/6/1916.
O seu casamento não foi de muita duração. A grande epidemia que assolou o Pais apôs a primeira Grande Guerra (1914/1918), designada por “pneumônica”, não poupou Cristina da Conceição que se finou na sua residência na Rua de s. Vicente, aos 28 anos de idade, a 29/10/1918, deixando órfão seu único filho Joaquim Leitão com pouco mais de 4 anos de idade.
Pretendendo dar uma mãe a seu filho, agora desamparado sem o colo materno, depois de respeitar o ano de luto, usual na época, a 6 de Dezembro do ano seguinte é celebrado na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Ajuda o seu segundo matrimónio com Rosalina do Nascimento Matos Pacheco, de 22 anos de idade, filha de Verissimo do Nascimento de Matos e de Maria do Rosário Pacheco, também viúva e na mesma situação com um filho de tenra idade para criar, José do Espirito Santo Cecilio, nascido a 18/6/1916, filho de José dos Santos Cecilio, nascido em 20/9/1892 e falecido no mar em desastre. O mar traiçoeiro nunca devolveu seu corpo, ficando para sempre ali sepultado. Era filho de João dos Santos Cecilio e de Maria de Jesus Chaves.
Ao longo da sua vida, mais propriamente depois do segundo matrimónio, com muito trabalho e mais protegido pelo factor sorte, foi arrais de carques, depois de traineiras e aos 40 anos de idade era armador correspondendo assim aos desejos de sua esposa que há muito ambicionava vê-lo abandonar a luta contra o mar, pois que já tinha perdido o seu primeiro marido em condições idênticas.
Em terra dava ordens aos mestres das suas traineiras “Rosalina” e “Zita” dizendo-lhes onde deviam lançar a rede, regulando-se pelos astros no que nunca falhava, o que o levou a ser uma figura do mar bem conceituada e respeitada da praça de Peniche.
A 8 de Dezembro de 1924, nasce em Peniche de Cima, resultado daquele matrimônio, ANTÓNIO DE MATOS LEITÃO, baptizado no ano seguinte a 12 de Abril na pia baptis mal da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda. Foi seu padrinho Joaquim Cristóvão da Silva, empregado industrial, e sua madrinha a Virgem Maria da Ajuda, orago daquele templo, que foi representada no ritual por um procurador, Américo Sales, marítimo, que tocou com a sua prenda, tendo como assis- tente o Administrador Espiritual Padre José Francisco Freire, Pároco daquela freguesia. Outros irmãos se lhe seguiram e deles dois chegaram até aos nossos dias: Maria Zita de Matos Leitão e Adelino Leitão Júnior.
Adelino Leitão confiou todos os seus filhos, que foram 11 (sendo 10 do sexo masculino e 1 do feminino - 9 do segundo casamento) à divina protecção da Virgem Maria da Ajuda como madrinha. Nestes casos era muito comum, no que respeita às raparigas, chegadas à puberdade, oferecerem as suas tranças a Nossa Senhora, com um pedido de garantia de casamento e de feliz maternidade (a maternidade era na época a grande preocupação das mulheres, pelos riscos de morte que ela implicava).
À mãe Rosalina de Matos, como ainda hoje acontece em todo o ambiente marítimo, coube a tarefa de ensinar seus filhos e de os enviar para s apropriados à sua cultura, educação e bem estar.
Na idade própria para aprender as primeiras letras, Antônio de Matos LEITÃO , depois da catequese na sua freguesia e da escola particular (o ensino pré-escolar da época) na casa da ainda hoje bastante recordada “Dona Maria Mexas”, frequentou a Escola Primária n°1 de Peniche (agora vulgarmente conhecida entre nôs por “Escola Velha”) onde fez o exame de instrução primária do 2. Grau (Quarta Classe) sendo sua mestra durante os quatro anos lectivos (da 1° à 4. classe) D. Ema Trigo Teixeira.
Logo de seguida, apôs o exame de admissão ao liceu, frequentou o Instituto D. Luis de Ataíde em Peniche (então com o Curso dos Liceus), na antiga Rua Almirante Reis, actu al Avenida do Mar, transferindo-se com frequência adiantada para o Liceu Nacional de D. João de Castro, em Lisboa, onde concluiu a 6 de Junho de 1 944 o Curso Geral dos Liceus - Segundo Ciclo - com a classificação de 12 valores.
Aos 19 anos de idade, ao dar os primeiros passos no cumprimento dos deveres militares, na Câmara Municipal de Peniche, apresenta-se como estudante. Coube-Ihe o ni de recenseado 3 de 1945, pela freguesia onde nasceu.
A 16 de Julho de 1945 foi presente à inspecção sanitária da Junta de Recrutamento com o resultado de apurado para todo o serviço militar. A 19 de Setembro do ano seguinte assentou praça como recrutado no Quartel de Póvoa do Varzim. Passou à disponibilidade em 8 de Agosto de 1947, por ter terminado a obrigação de serviço, com a patente de Furriel Miliciano.
Com alguma experiência de escritório, no ano que se seguiu ao cumprimento dos seus deveres militares, concorreu na Câmara Municipal de Peniche para um lugar em aberto de escriturário de 3° classe do respectivo Quadro Privativo.
Cumpridas as formalidades legais, depois do concurso e das informações do Governo Civil do distrito confirmando que reunia as condições de idoneidade politica indispensável para poder ser nomeado, tomou posse a 20 de Janeiro de 1949, com o vencimento anual de seis mil e seiscentos escudos.
Sentindo-se apto para constituir familia, com as remunerações que lhe vinham da função pública que exercia e da sua actividade como empregado de escritório em horário pôs laboral e a colaboração dada pelo seu pai em sociedade que o tornou armador, a 8 de Agosto de 1951 realiza o seu matrimônio no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Peniche, com Maria de Lourdes Ribeiro, de 22 anos de idade, assistente no Posto Antitracomatoso em Peniche, natural da freguesia de S. Pedro, filha de Pedro da Glória Ribeiro, marítimo e de Lúcia Maria, doméstica, naturais da freguesia de S. Sebastião de Lagos, tendo como Padre assistente Victor Franco, natural do lugar de Geraldes deste Concelho.
Tal como acontecera a seu pai no seu primeiro matrimônio, também o seu casamento foi de pouca dura. Sua esposa Maria de Lourdes sucumbiu, com graves problemas cardíacos depois de pouco mais de dois anos de casamento, a 15 de Dezembro de 1953.
Tendo vagado um lugar de escriturário de 2. classe do Quadro Privativo da Câmara Municipal (por João Maria Viçoso Freire ter passado a desempenhar um cargo de 3 Oficial na Junta de Província do Minho) Antônio Leitão foi promovido nessa vaga, de que tomou posse a 1/5/1954 com o vencimento mensal de 1.200$00.
No ano seguinte, a 18 de Abril, contraiu o seu segundo matrimônio com Maria Florinda Pinheiro Guilherme, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima.
Ao longo de 11 anos, no periodo que decorreu entre 20/1/1949 e 31/3/1960, desempenhou funções no Municipio, em regime de horário completo.
A partir de 1/4/1960, a seu pedido, foi-lhe concedida licença ilimitada sem vencimento, ao abrigo do artigo 516. do Código Administrativo, por deliberação camarária de 15/2/1960.
Mais tarde apresentou pedido para se desligar definitiva mente do serviço municipal. A exoneração pedida foi aprova da em reunião camarária de 23/1/1965.
Pouco tempo depois foi convidado pelo então Presidente da Câmara Municipal de Peniche, Victor João Albino de Almeida Baltazar, para ocupar o lugar de Vice-Presidente daquele Corpo Administrativo, em substituição de José Acúrcio Vidal de Carvalho, que antes havia sido Chefe da Secretaria Municipal, cargo que aceitou.
Na qualidade de Presidente em exercício testemunhou a passagem das funções de Presidente da Câmara Municipal de Peniche de Victor Baltazar para Francisco de Jesus Salvador. O Presidente cessante confirmou a colaboração que lhe havia sido dada por Antônio Leitão com um espirito de camaradagem, lealda de e nobreza de caracter que sempre teve no exercício das suas funções, o que o tornou credor de muita admiração e apreço.
Prosseguia a sua actividade como Vice-Presidente da Câmara Municipal quando este Corpo Administrativo é confrontado com a noticia de que Antônio Leitão decidira ir com sua familia fixar residência na então Província de Moçambique, por razões meramente particulares.
Os seus dotes pessoais foram reconhecidos pela Edilidade de então num voto aprovado em reunião camarária de 16 de Maio de 1973 que passo a transcrever:
“VOTO DE LOUVOR AO EXCELENTE VICE-PRESI DENTE, ANTONIO DE MATOS LEITÃO - A Câmara considerando que o Senhor Antônio de Matos LEITÃO vai deixar as funções de Vice-Presidente deste Corpo Administrativo por virtude de fixar residência em Moçambique, deliberou, por unanimidade e por proposta do Excelentíssimo Presidente, observado o disposto no artigo trezentos e quarenta e nove do Código Administrativo, exarar em acta um voto de louvor e reconhecimento ao Senhor Antônio de Matos Leitão porque, durante os cinco anos em que serviu o concelho como Vice-Presidente da Câmara, se revelou, sempre e em todas as circunstâncias, um dirigente distinto, digno, aprumado, de extrema lealdade e integridade, o que, aliado à sua privilegiada inteligência, excepcional competência e raros dotes de dedicação ao bem público contribuiu para que os Serviços da Câmara da órbita da sua actuação tenham funciona do sempre com uma eficiência digna de realce, pelo que é com muita mágoa que o vê deixar de pertencer ao ni dos que trabalham para o bem estar e progresso do concelho’
Embora desempenhando ultimamente as funções de Vice-Presidente, o seu nome desde há longos anos que andava em continuo peregrinar pelas direcções de diversas colectividades, organismos corporativos e de assistência, ensino em estabelecimentos particulares em Peniche e tantas outras actividades, com particular destaque para a sua passagem pela Direcção do Grupo Desportivo de Peniche, o que é teste munho das suas qualidades de trabalho e desejos de bem servir dentro da comunidade.
Na véspera da sua partida para Africa, um grupo de amigos tomou a iniciativa de lhe oferecer um jantar no restaurante “Gaivota”, com a presença do então Presidente da Câmara Municipal, Francisco de Jesus Salvador, jantar que decorreu num ambiente de profunda amizade mútua.
Algum tempo depois António Leitão fixou residência na cidade de Montreal, no Canadá, grande centro de emigrantes portugueses, possivelmente à procura de uma vida mais estável para o seu agregado familiar.
No passado mês de Abril, no dia dois, chegou ao nosso conhecimento a triste noticia do seu falecimento naquele longinquo país, depois de prolongado sofrimento provocado por doença a que não resistiu.
Os membros da sua familia, que acabaram por ali criar raízes familiares, concordaram em que os seus restos mortais ficassem sepultados naquela cidade.
Também a viúva, D. Maria Florinda, por là ficou rodeada pelos filhos do casal que são: Carlos Jorge Pinheiro Leitão, de 52 anos; Maria Teresa, de 49; Helena Margarida, de 46; Antônio Manuel, de 42 e João Pedro, de 37.
Com este trabalho quero prestar uma singela homenagem à memória do Senhor António de Matos Leitão , colega de trabalho na Secretaria da Câmara Municipal de Peniche de 1951 a 1960, manifestando o meu reconhecimento por todos os ensinamentos que dele recebi, mesmo depois como meu superior hierárquico no desempenho das funções de Vice Presidente da Câmara Municipal.

sábado, novembro 08, 2008

Postais da iIha da Berlenga












Nostalgia & Talvez Também Saudades para muitos.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Iluminação dos faróis: óptica Fresnel


As ópticas dos faróis ao longo dos anos


óptica Fresnel, modelo instalado em 1823 em varios faróis.
Constituído por 8 lentes montadas a volta da lâmpada central, num tambor rotativo
.

terça-feira, setembro 30, 2008

O Farol do Cabo Carvoeiro ao longo dos anos

Local Península de Peniche
Altura 27 m
construído em: 1790
Engenheiro: Castanheira das Neves
Alcance: 15 milhas
Coordenadas : Latitude 39° 21' 54” Norte
Longitude 9° 22' 45” Oeste
Automatização 1988
elevação/nível do mar 57m
Optica: Tambor de ópticas seladas Fresnel






O Farol do Cabo Carvoeiro faz parte do grupo de seis faróis mandados edificar pelo alvará pombalino de 1 de Fevereiro de 1758 que criou o Serviço de Faróis em Portugal. Entrou em funcionamento em 1790, sendo um dos mais antigos da costa portuguesa.
A sua torre original, de secção quadrada com 20,9 metros de altura, era constituída por três corpos, sendo o da base um tronco de pirâmide, encimado por dois paralelepípedos. No seu topo estava instalada um lanterna de oito faces com 8,2 metros de altura. Junto da torre existiam alguns edifícios e uma igreja que em 1865 se encontrava em ruínas e era identificada como sendo a Ermida de N. Sª. da Vitória, sobre a qual consta ter existido uma luz para guiar os navegantes.
Pouco se sabe do seu equipamento inicial embora se imagine que devia consistir de um conjunto de candeeiros de Argand com reflectores parabólicos, semelhante aos utilizados noutros faróis seus contemporâneos. Era precisamente uma árvore com 16 candeeiros de Argand que o equipavam, de acordo com uma descrição do Engº Hidrógarfo Pereira da Silva em 1865.
A “Comissão de Pharois e Balisas” incumbida em 1881 de elaborar um “Plano de Alumiamento das Costas, Portos e Barras do Continente e Ilhas Adjace ntes”, considerou o farol em muito mau estado e determina a sua reedificação .
Um Aviso aos Navegantes de 1 de Fevereiro de 1886 indicava que o novo farol estava pronto, com uma torre de 20,6 metros encimada por uma lanterna de 5 metros de altura por 2,5 de diâmetro, estava equipado com um aparelho óptico de 3ª Ordem, provido de um candeeiro a petróleo de três torcidas, apresentando uma luz fixa vermelha com cerca de 17 milhas de alcance, o que, não sendo elevado, era suficiente pois este apenas serve quem navega nas proximidades do canal entre as Berlengas e Peniche, residindo a necessidade de maior alcance na Berlenga, situada 5,5 milhas a oeste deste.
Em 1886 foi dotado de um sinal sonoro constituído por uma trombeta de palhetas, activado por ar comprimido armazenado em grandes reservatórios para onde era carregado através de um compressor a vapor de 4 cavalos. Este sinal era estabelecido pelos faroleiros em condições de visibilidade reduzida, sendo actualmente um sistema electroacústico activado por um detector automático de nevoeiro.
O aparelho lenticular de 3º Ordem foi substituído em 1923 por um girante de 4ª Ordem, passando a apresentar quatro relâmpagos em substituição da luz fixa, mas mantendo a cor vermelha. A fonte de energia do aparelho iluminante passou a ser o gás em 1947 e em 1952 foi instalada a lâmpada eléctrica.
No ano de 1949 foi montado no recinto, um radiofarol, que viria a ser extinto em 2001 por ter deixado de ser útil à navegação.
O farol foi automatizado, em 1988 com a instalação de um novo aparelho óptico/ /iluminante composto de um tambor com ópticas seladas. Este sistema consiste de um conjunto de ópticas seladas do tipo das utilizadas nos automóveis, fixas nas faces de um prisma hexagonal, apresentando uma baixa relação alcance/consumo.
O farol é guarnecido por oito faroleiros que, além de manterem o assinalamento marítimo da região, guarnecem desde 1975 o Farol da Berlenga, em grupos de dois e por períodos de uma semana.

Texto extraído do site: http://www.marinha.pt/extra/revista/ra_jan2004/pag_35.html

terça-feira, setembro 23, 2008

sábado, setembro 20, 2008

QUEM FOI FRANCISCO DE JESUS SALVADOR

Por: Fernando Engenheiro
Seu pai, MANUEL SALVADOR DA SILVA, nasceu em Peniche, na freguesia de Nossa Senhora da Ajuda a 6/4/1891 e faleceu a 4/6/1951. Era filho de Joaquim Salvador da Silva, marítimo e de Lúcia de Jesus Machado, doméstica.
Com ligação à vida marítima desde a sua infância, Manuel Salvador ao completar a idade própria para servir nas fileiras, passando ao lado das primeiras letras no ensino primário, teve a oportunidade de, a 13/6/1911, ingressar como tripulante do barco salva-vidas de Peniche de Baixo dando assim cumprimento aos deveres militares ao abrigo do Art° 14 - § único - do Decreto de 26/5/1911. A Estação de Socorros a Náufragos estava instalada num barracão construído em madeira em frente do bico nascente/norte da Fortaleza, no antigo Portinho de Revez.
Desamparado do calor materno, ainda de tenra idade ficou órfão. Seguindo os passos de seu pai, único ascendente que lhe restava, a sua vida foi o mar.
Com muito trabalho e protegido pelo factor sorte, foi mestre de caíques, depois de traineiras e, ainda muito novo, armador, o que o levou a ser considerado um dos mais bem conceituados e respeitados da praça de Peniche.
Manuel Salvador casou em 1912, com 21 anos de idade, no dia 24 de Julho (dia em que a Igreja Católica inclui no calendário litúrgico a celebração da festa de Santa Cristina, Virgem e Mártir), com Cristina Martins Salvador, de 19 anos de idade, nascida em Peniche a 21/3/1893, filha de Francisco Martins, calafate, e de Albertina de Jesus Martins.
Atendendo à sua situação militar, pois não tinha qual quer remuneração pelo serviço público que estava a cumprir, não lhe era possível ter casa própria. Seus sogros compartilharam consigo sua habitação na rua Elias Garcia, nasce o varão da familia, FRANCISCO DE JESUS SALVADOR. Poucos dias depois do seu nascimento foi baptizado na Igreja Paroquial de S. Pedro, tendo como padrinhos seus avôs maternos.
A sua mãe coube a tarefa de ajudar como rendeira (rendilheira) a suportar as despesas do seu lar e, como ainda hoje acontece em todo o ambiente marítimo, é à mãe que cabe ter o cuidado de encaminhar seus filhos para sítios apropriados à sua futura cultura, educação e bem estar. Na idade própria para aprender as primeiras letras, depois da catequese, frequentou a escola primária n°1 de Peniche (agora vulgarmente conhecida entre nós por “Escola Velha”), onde concluiu o exame de instrução primária do 2° grau (Quarta Classe) no dia 18/7/1928 com a aprovação de 15 valores, dada pelos examinadores D. Urbana Trindade (Presidente do Júri) e Francisco Maria Freire e D. Maria Angélica Martins (Vogais), sendo o mes tre que o preparou ao longo dos quatro anos lectivos (da 1° à 4° classe) Francisco Maria Freire.
Aos 19 anos de idade ao dar os primeiros passos no cumprimento dos deveres militares, na Câmara Municipal de Peniche, apresenta-se como empregado no comércio e tendo como habilitações literárias o 2° grau da Instrução Primária.
Na verdade no ano lectivo de 1936-37, com a média de 13 valores, concluiu o Curso de Comércio na Escola Industrial e Comercial Rafael Bordalo Pinheiro, em Caldas da Rainha.
No ano que se seguiu à conclusão do seu curso trabalhou, em 1937-39, como professor de Caligrafia, Contabilidade e Correspondência Comercial no Instituto D. Luís de Ataíde, em Peniche, estabelecimento de ensino que existiu na Rua Almirante Reis, actual Avenida do Mar.
Na mesma época, começou por se ligar aos interesses da Terra como membro da Comissão Municipal de Turismo, com grande êxito, nos anos que se seguiram 1937/39 e 1940/1949 (com alguns intervalos).
Seguindo os passos de seu pai, os seus bons conselhos e o seu exemplo, tornou-se armador de pesca com a traineira “Lilés” (a mão e o grande apoio de seu pai, explorando o seu saber, estava là). Foi, com êxito, proprietário de diversas traineiras ao longo dos tempos: “Campeão” e “Atleta” e coproprietário das traineiras “Sansão e “Desportista”. Foi também sócio gerente de uma firma de atuneiros sediada em Aveiro.
Em 21/8/1943, com 28 anos de idade, Francisco de Jesus Salvador celebrou o seu matrimónio, na Paroquial de S. Nicolau, na cidade de Santarém, com Carlota Maria da Silveira Pinto da França, de 23 anos de idade, nascida a 23/9/1919 na Vila de Mafra, filha de Bento da França Pinto de Oliveira e de Emilia Albertina Cristiano da Silveira. A familia de sua futura esposa vinha passar férias de veraneio a Peniche desde 1938. Justifica-se o casamento em Santarém dado que a sua noiva ali residia, desempenhando seu pai as funções de Comandante do Quartel de Cavalaria daquela cidade.
o distinto oficial seu sogro, na década de 50, com patente de Coronel, exerceu as funções de Chefe da Casa Militar do Presidente da Republica Portuguesa, Francisco Higinio Craveiro Lopes. Era descendente do l° Conde da Fonte Nova, Bento da França Pinto de Oliveira, nascido a 6/11/1793 e falecido a 14/12/1852, a quem sucedeu seu filho, com o titulo de 2° Conde, Luis Paulino de Oliveira Pinto da França, falecido a 9/5/1888, e outros que lhe sucederam.
Francisco Salvador, sempre tratado com muito carinho por aqueles que o rodeavam por “Senhor Chico Salvador”, após o casamento fixa residência numa casa, de arquitectura muito apreciada na época, mandada construir por seu pai, possivelmente como dote de casamento, nos novos arruamentos do Mercado Municipal (na actual Rua Arquitecto Paulino Montez).
Suas irmãs, que se seguiram ao seu nascimento, Ivone Salvador, Gisela Salvador e Madalena Salvador, também foram contempladas pelos seus pais com as suas habitações, aquando dos seus casamentos.
Do enlace matrimonial de Francisco Salvador e Carlota Bento da França nasceram, além do primeiro filho, Manuel Bento Pinto da França Salvador, falecido com apenas dois dias de vida: Helena Maria Pinto da França Salvador, nascida a 29/5/1944 - Maria Cristina Pinto da França Salvador, nascida a 28/3/1947 e Francisco Manuel Pinto da França Salvador, nascido a 17/11/1950.
A sua situação profissional, aliada ao facto de então em Peniche só serem possíveis estudos até ao 2° ano do Liceu, levou-o a optar por arranjar em Lisboa uma segunda habitação onde os filhos puderam completar os seus estudos desde 1959.
Ao longo da sua vida, sempre que lhe era possível, como grande amante que era da fotografia e do cinema, expôs diversas vezes e obteve um 2° prémio num Concurso promovido pelo SNI (Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo) e diversas menções honrosas em vários outros concursos. Realizou uma curta-metragem de animação que foi projectada em primeira mão na Mostra de Cinema de Animação do Estoril. Igualmente se dedicou à pintura e aguarela, embora sem grande expressão. Filatelista de mérito, angariou vasta colecção de selos nos temas: mar e bancos, e generalista nacional.
Recordando o seu tempo de jovem é de referir que se dedicou com bastante sucesso à prática do ténis, modalidade onde obteve diversos prémios em concursos realizados em Peniche, nas Caldas da Rainha e outras localidades, e que praticou, embora com menos assiduidade nos últimos tempos, até aos seus sessenta anos.
Como membro da Comissão Municipal de Turismo em diversas ocasiões, participou na organização de numerosos concursos de pesca e outros eventos.
Aos 53 anos de idade estava em plena actividade desempenhando os cargos de Director do Grémio dos Armadores da Pesca da Sardinha; Vogal da Junta Disciplinar da Corporação da Pesca e Conservas; Representante da Corporação da Pesca e Conservas no Conselho Técnico das Escolas de Pesca e na Junta Central dos Portos. Isto no plano nacional. No plano local era Vice-Presidente do Clube Naval de Peniche e Presidente da Assembleia Geral do Grupo Desportivo de Peniche (duas colectividades de que foi fundador). E então convidado para o desempenho das funções de Presidente da Câmara Municipal de Peniche.
A 13/9/1969, em cerimónia oficial, procedeu-se à passagem do testemunho do anterior Presidente da Câmara Municipal, Victor João Albino de Almeida Baltazar para FRANCISCO DE JESUS SALVADOR.
Deslocou-se a Peniche o então Governador Civil do Distrito, Doutor José Damasceno de Campos que, no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho lhe conferiu a posse do referido cargo, na presença de elevado número de representantes dos mais diversos sectores da sociedade local, como o atestam as 120 assinaturas que testemunham as presenças no referido acto.
Não foi muito longa a sua permanência à frente dos destinos do Concelho, em consequência da alteração politica resultante do 25 de Abril de 1974. A sua passagem pela direcção do Municipio ficou ligada à construção de um novo Bairro na Fonte Boa (o que permitiu a extinção das miseráveis e numerosas barracas então ali existentes). Igualmente foi importante a sua acção no arranjo dos acessos aos pesqueiros das marginais de Peniche, dos acessos e estacionamentos da praia do Molhe Leste, do arranjo da Praça Jacob Rodrigues Pereira, Jardim Público, etc.
O abandono das funções de Presidente da Câmara, por imposição da legislação criada pelo novo regime do País , não fez cessar a sua actividade a favor da terra que o viu nascer. Em Janeiro de 1979 foi eleito Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Peniche, cargo que desempenhou até ao fim da sua vida. O mesmo se passou também relativamente ao cargo de Presidente do Núcleo Local da Cruz Vermelha Portuguesa.
Na Santa Casa a sua actividade foi sobretudo assinalada pela salvaguarda do património construído da instituição (são disso exemplo os restauros da Capela do Senhor do Calvário e da Igreja da Santa Casa da Misericórdia). A gestão do ATL de Sant’Ana, reparações e reconstruções de alguns outros prédios marcaram também a sua passagem pela direcção da prestigiada instituição.
Aos 71 anos de idade, na sequência de prolongada doença, faleceu a 29 de Maio de 1987, no Montepio de Caldas da Rainha.
Foi a sepultar no Cemitério Municipal de Sant’Ana, em Peniche, junto de seu avô e padrinho (falecido com 82 anos de idade a 18/1/1953), a seu pedido.
A Câmara Municipal de Peniche, em reunião de 2/3/1993, aprovou uma homenagem a esta figura ilustre, perpetuando o seu nome numa das ruas da nossa cidade. Trata-se do primeiro arruamento que, para Norte, começa na Rua dos Dominguinhos, atravessando a Rua das Vinhas, e se prolonga para Norte, paralelo à Rua da Fonte de Nossa Senhora do Rosário, que lhe fica a nascente.
Alguns anos, depois a 10/1/2004, com 84 anos, faleceu na sua residência a viúva, D. Carlota Maria da Silveira Pinto da França Salvador. Foi a sepultar no Cemitério Municipal de Santana, junto de seu marido.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Bombeiros Voluntarios de Peniche Em Pleno Exercicio




Alguém conhece a data em que foram tiradas estas fotos?

quinta-feira, setembro 18, 2008

O sonho Americano em perigo EDUARD N LUTTWAK

Mais il est maintenant évident qu’il y a un défaut fatal dans le fonctionnement actuel du système : les banques d’affaires qui en sont les piliers n’ont objectivement aucun intérêt à faire des investissements (ou quoi que ce soit) sur le long terme. Leurs revenus ne proviennent pas de dividendes, d’intérêts ou de bénéfices liés à des activités productives, mais de commissions touchées à chaque transaction. Chaque fois qu’ils consentent un prêt, les banquiers touchent une commission. Il y a couramment des commissions de plusieurs millions de dollars, parfois plus. Dans l’OPA la plus fameuse à ce jour qui disposa de RJR Nabisco pour 25 milliards de dollars, Drexel Burnham Lambert reçut une commission de 227 millions de dollars pour avoir obtenu des banques commerciales un prêt-relais de 3,5 milliards et Merril Lynch en toucha une de 109 millions de dollars pour avoir arrangé un autre prêt-relais (afin de combler le trou entre la date de l’OPA et la cession, contre de l’argent frais, d’une partie de RJR Nabisco); un regroupement de deux cents banques, qui prêtait quant à lui 14,5 milliards de dollars, reçut une commission de 325 millions, tandis que Morgan Stanley et Wasserstein Pereira touchaient 25 millions de dollars chacun pour leurs conseils. De plus, Drexel Burnham Lambert gagna à côté une somme encore plus importante en rassemblant quelques milliards de liquidités supplémentaires pour l’OPA elle lança sur le marché ses « obligations pourries » à haut risque, aujourd’hui décriées, en les vendant à des financiers pris au piège (qui ne les achetèrent que parce qu’eux-mêmes avaient besoin d’« obligations pourries » pour leurs propres affaires) et à des organismes d’épargne et de prêt, ainsi qu’à
des caisses de retraite, qui n’auraient jamais dû investir leur argent dans du papier aussi douteux.
Même si la plupart des commissions sont moins importantes, elles représentent cependant des millions de dollars gagnés en quelques jours ou en quelques heures et cet argent est généreusement reversé aux banquiers d’affaires eux-mêmes, sous forme de salaires et de primes. L’argent réellement investi à des fins productives est, de leur point de vue, de l’argent qui dort et de l’argent inutile. Ce qu’ils veulent, ce sont des transactions, aussi nombreuses que possible. Dans l’idéal, il faut qu’il y ait une OPA contre une entreprise cotée en Bourse, de préférence une OPA hostile (ce qui engendre des commissions de part et d’autre). Puis le vainqueur devra rembourser les prêts à taux d’intérêt élevé dont il a eu besoin pour racheter l’entreprise, en vendant ses propres divisions, départements ou actifs (et en payant des commissions pour leur cession). Puis le vainqueur voudra émettre de nouvelles actions (en payant des commissions pour la souscription) afin de prendre rapidement son bénéfice sur le marché boursier, au lieu d’attendre des profits productifs (qui n’engendrent pas de commissions). Enfin, l’entreprise étant de nouveau cotée en Bourse, ses actions pourront être achetées à l’occasion d’une nouvelle OPA, et le cycle pourra recommencer.
Le résultat le plus évident de tout cela, c’est de détourner des milliards de dollars (qui auraient pu aller à des constructeurs, à des fabricants d’équipement, à des équipes de recherche) vers les comptes courants personnels des banquiers d’affaires qui les réinvestissent en partie de manière productive mais qui, pour une large part, les dépensent pour leur propre consommation, en biens luxueux.
Mais un résultat encore plus nocif, dès que le dernier krach et le dernier lot de scandales et de procès, de faillites et de banqueroutes seront bien oubliés, c’est l’infection du monde des affaires tout entier par la fièvre du « dollar vite gagné ». Car les banquiers d’affaires et leurs intermédiaires son propre compte, il avait été constamment sollicité et tenté par des banques d’affaires avides de commissions 6, Ils ne cessaient de lui répéter que ses jets Gulfstream, ses multiples résidences de fonction, ses fameux tournois de golf, son énorme salaire et sa retraite annuelle garantie de sept cent mille dollars (ou l’indemnité de quarante-neuf millions de dollars en cas de licenciement) n’étaient que de la roupie de sansonnet comparés à ce qu’il pourrait arracher à Nabisco s’il se débarrassait des actionnaires. Et Ross Johnson n’est pas une exception de fait, dans tout le pays, les dirigeants d’entreprises, qu’elles soient grandes ou petites, ont été fréquemment distraits de la marche de leurs affaires pendant la dernière saison flamboyante de Wall Street, et le seront à nouveau à la prochaine.