domingo, novembro 30, 2008

Memórias da Imigração Portuguesa em França IV

Março de 1965, sala de espera da estação de Hendaye, imigrantes portugueses.

Paris 1965 estação d'Austerlitz chegada de imigrantes Portugueses.
Provavelmente em 1965, viagem de comboio para Paris, quanto as condições é sem comentários.

Fotografias do site de: Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

sobre a emigração para França entre 1950 e 1974 http://aurevoirportugal.blogspot.com/2009_12_01_archive.html

quinta-feira, novembro 27, 2008

Memórias da Imigração Portuguesa em França III

Inverno (ou inferno) 1964 na região parisiense, imigrante português levando o carvão para o aquecimento.

Sem comentários: Champigny 1964

As caixas do correio: Champigny 1964

Fotografias do site de: Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

sexta-feira, novembro 21, 2008

Memórias da imigração Portuguesa em França II


Aqui temos a chegada ao Hotel Ritz, 5 estrelas claro, quartos com jardim privativo, e a familia em Portugal a pensar que eles iam viver pras BARRACAS, era mesmo o paraíso “antigamente é que se vivia bem” hoje esta tudo em crise!!!!!!


E como sempre os portugueses não têm educação nenhuma, num Hotel 5 estrelas, chama-se o serviço apropriado , lavar e estender a roupa no quarto com jardim privativo, claro que dá sempre um mau aspecto, hoje vivem na maioria em casas confortáveis, não tinham classe para viver nestes hotéis para gente chic!!!!

Fotografias do site de: Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

quinta-feira, novembro 20, 2008

Quem foi o doutor Bonifácio da Silva

Por: Fernando Engenheiro
De seu nome completo JOSÉ Bonifácio DA SIL VA era natural de Vale de Prazeres, Concelho do Fundão, diocese e distrito Administrativo de Castelo Branco. Nasceu a 14 de Outubro de 1886, filho de Joaquim Bonifácio da Silva, de profissão ferrador, e de Joana Caetana, governanta da sua própria casa, também na- turais da freguesia de Vale de Prazeres, nela recebidos na paroquial de São Bartolomeu, onde este seu filho recebeu na pia baptismal, a 7 de Dezembro do mesmo ano, o nome de “José” pelo presbitero coadjutor daquela freguesia.
Residentes que foram na Rua Direita daquele lugar, ao que nos é dado saber, foram frutos do seu matrimônio além do José Bonifácio, Antônio Bonifácio da Silva, que seguiu a vida e e Luís Bonifácio da Silva.
Prestes a completar os 19 anos de idade, José Bonifácio ofereceu-se como voluntário para o cumprimento dos deveres militares, por antecipação, no Regimento de Cavalaria n°4. Ali foi incorporado a 2 de Outubro de 1905, servindo no efectivo até 2 de Setembro de 1913. Assim, neste espaço de tempo serviu o governo da Monarquia e o governo da República.
Frequentou na Universidade de Coimbra o Curso Geral da Faculdade de Medicina e alcançou aprovação nos exames e provas a que pela organização da respectiva Faculdade era obrigado obteve o grau de Bacharel em 14 de Julho de 1916, aos vinte e nove anos de idade.
Estava-se na época em plena 1° Guerra Mundial (1914/1918) e, embora o nosso Pais não estivesse liga do aos primeiros acontecimentos que originaram toda a tragédia, bem podia vir a ser envolvido no conflito - como aconteceu - atendendo à nossa aliança com o Império Britânico.
O Doutor José Bonifácio, por decreto de 25 de Agosto de 1916, foi promovido a alferes médico miliciano e no dia seguinte, para efeitos de mobilização, é colocado no 2°Grupo de Companhias de Saúde em Coimbra. Embarcou para França, fazendo parte do 2° Batalhão do 7 Regimento de Infantaria n°2, em 27 de Maio de 1917. Já em plena missão foi promovido, em 24 de Setembro, a tenente médico miliciano.
No regresso de França, desembarcou em Lisboa em 12 de Fevereiro de 1918, com a sua missâo cumprida. Foi condecorado com a Medalha da Vitória, com Estrela de prata sobre a faixa da Medalha da Vitória.
Ao regressar à vida civil, desamparado, sem em prego, concorreu a um lugar na Câmara Municipal da Chamusca. Ali foi colocado a exercer as funções de médico municipal na freguesia de Pinheiro Grande. Não satisfeito, pouco tempo depois, na sequência de concurso público, o Dr. José Bonifácio da Silva toma posse do cargo de médico interino do 2. partido médico do Concelho de Peniche, com sede nesta Vila, em 13 de Setembro de 1918.
Chegou a Peniche solteiro, sem qualquer companhia familiar, e instalou-se numa casa particular na Rua Marechal Gomes Freire de Andrade.
Sentindo necessidade de formar familia a sua escolha recaiu numa filha de Luis Maria Freire de Andrade, pessoa que na época se encontrava à frente dos destino do Municipio e cuja casa certamente visitava.
Assim, a 23/1/1919, na capela particular da casa da tia da nubente, D. Isabel Maria Godinha Tavares, situada na Rua Alexandre Herculano (prédio onde hoje existe o Café Aviz) em Peniche, por uma provisão do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Neto, foi celebrado o seu casamento, aos 32 anos de idade, com D. Maria das Dores Godinha Tavares Freire de Andrade, de 21 anos de idade, nascida em 1897 na freguesia de Nossa Senhora da Ajuda em Peniche
Seus sogros eram Luis Maria Freire de Andrade, conceituado comerciante e proprietário em Peniche, donde era natural, e D. Balbina da Purificação Godinha Tavares, natural da freguesia de Santa Justa e Rufina da cidade de Lisboa.
Foi presbitero assistente neste enlace matrimonial o Pároco de Fatela e irmão do conjugue, Padre António Bonifácio da Silva.
Atendendo à s situação dei ao serviço do Municipio de Peniche, esteve ainda por algum tempo ligado à Câmara Municipal da Chamusca.o seu casamento teve curta duração – não foi além de 4 anos - por falecimento de sua esposa, a 22 de Fevereiro de 1923, na freguesia de Belas, do Concelho de Sintra (obito 133/1923-Sintra).
Naquele espaço de tempo nasceram duas filhas: Maria Teresa Freire de Andrade Bonifácio da Silva e Maria do Carmo Freire de Andrade Bonifácio da Silva.
As crianças foram criadas por uma empregada de nome Gertrudes, natural da Serra do Calvo, do Concelho da Lourinhã, que as criou com o maior afecto permanecendo naquela casa até se finar.
Já viúvo, a 4 de Agosto de 1923, o Dr. Bonifácio toma posse em Peniche do lugar de médico municipal das freguesias rurais, com sede em Atouguia da Baleia, em substituição do Doutor José Nogueira Pereira Lobo, em actividade desde 3/9/1912.
Com o vencimento anual de sete mil e duzentos escudos, manteve-se ininterruptamente no exercício destas funções até ao dia 11 de Janeiro de 1937, data em que foi exonerado a seu pedido por se considerar incurso no art. 473 do Código Administrativo de 1936, ficando em sua substituição, interinamente, o Doutor João José Pita da Silva.
A sua exoneração de médico municipal tornava-se imprescindível para o exercício do cargo que viria a exercer de Sub-Director Médico da então Colonia Correcional de S. Bernardino.
Ainda antes, apôs a Constituição Politica de 1933, estava a exercer a convite do Governo Civil do Distrito as funções de Presidente da União Nacional Concelhia, lugar a executar pela alta confiança do Poder Central. Por algum tempo deixou esta actividade para assumir a Presidência da Câmara Municipal de Peniche no espaço compreendido entre 27/11/1941 e 8/2/1945.
Alma beirã, culto e de prestigio, a sua actividade muito contribuiu para o progresso deste Concelho.
Lembro aqui que nas décadas de 30 e 40 assumiu os cargos de Presidente da Direcção da Caixa de Crédito Agrícola Mutuo de Peniche e de Presidente do Gré mio da Lavoura de Peniche, mantendo a sua actividade profissional como Director Clínico da Cadeia do Forte de Peniche e como Clínico Geral da Casa dos Pescadores.
Apôs a passagem de testemunho como Presidente do Municipio para o Comandante José da Motta Coutinho Garrido, reassumiu o cargo político de Presidente da União Nacional Concelhia, onde se manteve até aos últimos dias da sua vida, sendo depois substituído por José da Conceição Fernandes Bento, comerciante e proprietário em Peniche.
Não posso deixar de referir a sua contribuição para o desenvolvimento local como um dos fundadores do Instituto D. Luís de Ataíde, estabelecimento de ensino secundário particular criado a partir de 1934 no rés-do chão do edificio dos Paços do Concelho e transferido em 1937 para um edificio solarengo situado na antiga Rua do Cais, actual Avenida do Mar onde funcionou até ao ano lectivo de 1951/1952.
Foi durante largos anos Director e grande entusiasta deste estabelecimento de ensino que muito serviu sucessivas gerações de jovens penichenses até à criação do ensino secundário oficial na Escola Industrial e Comercial de Peniche.
Além de outros cargos, desempenhou até se finar funções como membro do Conselho Municipal de Peniche.
Ainda hoje é bem lembrada a sua actividade como lavrador, pois bastante se dedicou à agricultura na vasta propriedade designada por “Quinta da Granja”, situada entre Peniche e Atouguia da Baleia, onde nos últimos anos da sua vida ocupava grande parte do seu tempo.
Aos 60 anos de idade, depois de muitos anos no estado de viúvo, celebrou o seu segundo matrimônio com Dona Isabel Ribeiro Artur, solteira, de idade idêntica, filha de um antigo oficial militar que serviu em Peniche e por cá fixou residência, o General Bartolomeu Sezinando Ribeiro Artur, e de sua esposa Dona Maria da Costa Ribeiro Artur.
Faleceu na sua residência, na Rua Alexandre Herculano, acompanhado de sua esposa, a 28 de Janeiro de 1967, com 80 anos de idade, apôs prolongado sofrimento.
Foi figura de grande destaque e da maior simpatia, quern Peniche muito ficou devendo.
A Câmara Municipal de Peniche, por deliberação unânime tomada em reunião de 18 de Julho de 1994 quis perpetuar a sua memória com urna singela homenagem atribuindo o seu nome a uma artéria desta Cidade.
Trata-se do arruamento que liga a Rua do Lapadusso à Rua Cabo Avelar Pessoa, paralela à Rua de Sant Cruz e imediatamente a Poente desta.
Peniche, Outubro de 2008

quarta-feira, novembro 19, 2008

A Ceia de Zé, vista por: Bordalo Pinheiro

Representação da última ceia – Tendo o zé povinho como jesus cristo e os apostolos como os notáveis do partido regenerador ( a esquerda) e do partido progressista (à direita); Fontes Pereira de Melo, o quarto a contar da esquerda é representado como judas e tem do seu lado o próprio rei D. Luís. O desenho vai originar uma querela que levará Bordalo a barra do tribunal.


Em 2008 é tudo diferente !!! O povo é tratado como um Deus, quando chegam as eleições, claro, depois torna-se um diabo, é por isso que é maltratado pelos politicos, nacionais e também REGIONAIS.

terça-feira, novembro 18, 2008

Memórias da Imigração Portuguesa em França I

Imigrantes Portugueses nas Barracas de Saint-Denis em 1967


Barracas de Champigny 1964, corte de cabelo.


Isto é que eram condições de vida confortáveis, não era! Muita gente em Portugal pensava, e infelizmente ainda pensa, que aqui era o paraíso, mas se isto era o paraíso, o que seria o Inferno!

Fotografias do site de: Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

segunda-feira, novembro 17, 2008

Na Aula da Parreirinha Bordalo Pinheiro

Lição de ditado- No regime de liberdade de imprensa que felizmente vigora, os jornalistas podem lebirramente escrever ... o que o sr juiz Vega lhes dicta.

Hoje os jornalistas têm mais liberdade?

domingo, novembro 16, 2008

Portugal na Guerra de 1914-1918

O abraço da despedida: O Século Lisboa 16 de Novembro de 1914


No dia 11 de Novembro foi celebrado o 90° aniversário da assinatura do tratado de paz, o armistício.
Conflito em que participaram cerca de 100 000 portugueses, no qual, 4000 morreram, embora em número de vitimas seja uma gota de água em relação aos outros paises, é de nunca esquecer que este conflito foi um dos mais horríveis na memória da humanidade, os únicos vencedores foram os fabricantes de armas e os bancos, como em todas as guerras, se Deus existe que faça com que nunca mais se reproduza uma barbaridade deste tamanho, que infelizmente se tornou a repetir em 1939 45.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Quem foi António de Matos Leitão

Por: Fernando Engenheiro
Seu pai, ADELINO Leitão , nasceu em Peniche, na freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, a 10/1/1889, e faleceu com 77 anos de idade, a 20/1/1966, em Peniche, onde jaz sepultado no Cemitério Municipal. Era filho de Rufino Leitão, marítimo e de Gertrudes da Piedade, rendeira (ou rendilheira) naturais da mesma freguesia, onde sempre residiram, mais propriamente em Peniche de Cima.
Com ligação à vida marítima desde a sua infância, seguindo os passos de seu pai, Adelino Leitão ao completar a idade própria para servir nas fileiras do exército, passando ao lado das primeiras letras no ensino primário, foi presente a inspecção sanitária sendo lhe atribuído o número 1 de 1909 da freguesia de Nossa Senhora da Ajuda por onde foi recenseado. Resultou do seu exame ser considerado apto para todo o serviço militar e destinado a Infantaria - 2° reserva.
Eram tempos difíceis. Da época que correspondeu ao cumprimento dos seus deveres militares resultou que ingressando ainda para servir a então Monarquia acabou, depois de 5/10/1910, por servir já sob o governo na República Portuguesa.
Aos 23 anos de idade, a 7/10/1911 , na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Ajuda, freguesia onde nasceu, é cele brado o seu casamento com Cristina da Conceição, rendeira (ou rendilheira), de 21 anos de idade, filha de Joaquim Luis Pacheco e de Gertrudes da Encarnação, também naturais da referida freguesia, bem como sua filha.
Como tripulante e mestre de caíques nesta praça, com conhecimentos de navegação, teve oportunidade de, a partir de 1913, ingressar como patrão do primeiro barco salva-vidas de Peniche de Cima, instalado numa estação abarracada na Praia do Ingueiro, também conhecida por “Praia do Quebrado”.
Aí actuou com grande sucesso, na sua postura como “Lobo do Mar”, em salvamentos de naufrágios nos mares de Peniche de Cima de embarcações dos mais diversos tipos tais como galeotas, traineiras, lugres, carques, chalupas e outras.
Mas o mais destacado naufrágio em cujo resgate participou ocorreu em 2/12/1924. Tratou-se da “chalupa” registada com o nome de “Venturosa” (pequena embarcação portuguesa de um só mastro) em que, depois de conseguir colocar em terra firme toda a tripulação, voltou novamente ao barco, já destroçado pelo forte temporal que assolava toda a zona, para salvar o cão, companheiro da tripulação nas suas viagens, saindo vitorioso desta nobre causa.
Ao longo da sua carreira como patrão do Salva-Vidas foi por algumas vezes medalhado pelo Instituto de Socorros a Náufragos, motivo de grande orgulho para os seus descendentes e outros membros da sua familia.
Nasceu o seu primeiro filho, Joaquim leitão, a 12/2/1913 o quai foi baptizado no dia 23 do mês seguinte.
O segundo filho, José, durou pouco mais de 13 meses, vindo a falecer a 13/6/1916.
O seu casamento não foi de muita duração. A grande epidemia que assolou o Pais apôs a primeira Grande Guerra (1914/1918), designada por “pneumônica”, não poupou Cristina da Conceição que se finou na sua residência na Rua de s. Vicente, aos 28 anos de idade, a 29/10/1918, deixando órfão seu único filho Joaquim Leitão com pouco mais de 4 anos de idade.
Pretendendo dar uma mãe a seu filho, agora desamparado sem o colo materno, depois de respeitar o ano de luto, usual na época, a 6 de Dezembro do ano seguinte é celebrado na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Ajuda o seu segundo matrimónio com Rosalina do Nascimento Matos Pacheco, de 22 anos de idade, filha de Verissimo do Nascimento de Matos e de Maria do Rosário Pacheco, também viúva e na mesma situação com um filho de tenra idade para criar, José do Espirito Santo Cecilio, nascido a 18/6/1916, filho de José dos Santos Cecilio, nascido em 20/9/1892 e falecido no mar em desastre. O mar traiçoeiro nunca devolveu seu corpo, ficando para sempre ali sepultado. Era filho de João dos Santos Cecilio e de Maria de Jesus Chaves.
Ao longo da sua vida, mais propriamente depois do segundo matrimónio, com muito trabalho e mais protegido pelo factor sorte, foi arrais de carques, depois de traineiras e aos 40 anos de idade era armador correspondendo assim aos desejos de sua esposa que há muito ambicionava vê-lo abandonar a luta contra o mar, pois que já tinha perdido o seu primeiro marido em condições idênticas.
Em terra dava ordens aos mestres das suas traineiras “Rosalina” e “Zita” dizendo-lhes onde deviam lançar a rede, regulando-se pelos astros no que nunca falhava, o que o levou a ser uma figura do mar bem conceituada e respeitada da praça de Peniche.
A 8 de Dezembro de 1924, nasce em Peniche de Cima, resultado daquele matrimônio, ANTÓNIO DE MATOS LEITÃO, baptizado no ano seguinte a 12 de Abril na pia baptis mal da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda. Foi seu padrinho Joaquim Cristóvão da Silva, empregado industrial, e sua madrinha a Virgem Maria da Ajuda, orago daquele templo, que foi representada no ritual por um procurador, Américo Sales, marítimo, que tocou com a sua prenda, tendo como assis- tente o Administrador Espiritual Padre José Francisco Freire, Pároco daquela freguesia. Outros irmãos se lhe seguiram e deles dois chegaram até aos nossos dias: Maria Zita de Matos Leitão e Adelino Leitão Júnior.
Adelino Leitão confiou todos os seus filhos, que foram 11 (sendo 10 do sexo masculino e 1 do feminino - 9 do segundo casamento) à divina protecção da Virgem Maria da Ajuda como madrinha. Nestes casos era muito comum, no que respeita às raparigas, chegadas à puberdade, oferecerem as suas tranças a Nossa Senhora, com um pedido de garantia de casamento e de feliz maternidade (a maternidade era na época a grande preocupação das mulheres, pelos riscos de morte que ela implicava).
À mãe Rosalina de Matos, como ainda hoje acontece em todo o ambiente marítimo, coube a tarefa de ensinar seus filhos e de os enviar para s apropriados à sua cultura, educação e bem estar.
Na idade própria para aprender as primeiras letras, Antônio de Matos LEITÃO , depois da catequese na sua freguesia e da escola particular (o ensino pré-escolar da época) na casa da ainda hoje bastante recordada “Dona Maria Mexas”, frequentou a Escola Primária n°1 de Peniche (agora vulgarmente conhecida entre nôs por “Escola Velha”) onde fez o exame de instrução primária do 2. Grau (Quarta Classe) sendo sua mestra durante os quatro anos lectivos (da 1° à 4. classe) D. Ema Trigo Teixeira.
Logo de seguida, apôs o exame de admissão ao liceu, frequentou o Instituto D. Luis de Ataíde em Peniche (então com o Curso dos Liceus), na antiga Rua Almirante Reis, actu al Avenida do Mar, transferindo-se com frequência adiantada para o Liceu Nacional de D. João de Castro, em Lisboa, onde concluiu a 6 de Junho de 1 944 o Curso Geral dos Liceus - Segundo Ciclo - com a classificação de 12 valores.
Aos 19 anos de idade, ao dar os primeiros passos no cumprimento dos deveres militares, na Câmara Municipal de Peniche, apresenta-se como estudante. Coube-Ihe o ni de recenseado 3 de 1945, pela freguesia onde nasceu.
A 16 de Julho de 1945 foi presente à inspecção sanitária da Junta de Recrutamento com o resultado de apurado para todo o serviço militar. A 19 de Setembro do ano seguinte assentou praça como recrutado no Quartel de Póvoa do Varzim. Passou à disponibilidade em 8 de Agosto de 1947, por ter terminado a obrigação de serviço, com a patente de Furriel Miliciano.
Com alguma experiência de escritório, no ano que se seguiu ao cumprimento dos seus deveres militares, concorreu na Câmara Municipal de Peniche para um lugar em aberto de escriturário de 3° classe do respectivo Quadro Privativo.
Cumpridas as formalidades legais, depois do concurso e das informações do Governo Civil do distrito confirmando que reunia as condições de idoneidade politica indispensável para poder ser nomeado, tomou posse a 20 de Janeiro de 1949, com o vencimento anual de seis mil e seiscentos escudos.
Sentindo-se apto para constituir familia, com as remunerações que lhe vinham da função pública que exercia e da sua actividade como empregado de escritório em horário pôs laboral e a colaboração dada pelo seu pai em sociedade que o tornou armador, a 8 de Agosto de 1951 realiza o seu matrimônio no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Peniche, com Maria de Lourdes Ribeiro, de 22 anos de idade, assistente no Posto Antitracomatoso em Peniche, natural da freguesia de S. Pedro, filha de Pedro da Glória Ribeiro, marítimo e de Lúcia Maria, doméstica, naturais da freguesia de S. Sebastião de Lagos, tendo como Padre assistente Victor Franco, natural do lugar de Geraldes deste Concelho.
Tal como acontecera a seu pai no seu primeiro matrimônio, também o seu casamento foi de pouca dura. Sua esposa Maria de Lourdes sucumbiu, com graves problemas cardíacos depois de pouco mais de dois anos de casamento, a 15 de Dezembro de 1953.
Tendo vagado um lugar de escriturário de 2. classe do Quadro Privativo da Câmara Municipal (por João Maria Viçoso Freire ter passado a desempenhar um cargo de 3 Oficial na Junta de Província do Minho) Antônio Leitão foi promovido nessa vaga, de que tomou posse a 1/5/1954 com o vencimento mensal de 1.200$00.
No ano seguinte, a 18 de Abril, contraiu o seu segundo matrimônio com Maria Florinda Pinheiro Guilherme, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima.
Ao longo de 11 anos, no periodo que decorreu entre 20/1/1949 e 31/3/1960, desempenhou funções no Municipio, em regime de horário completo.
A partir de 1/4/1960, a seu pedido, foi-lhe concedida licença ilimitada sem vencimento, ao abrigo do artigo 516. do Código Administrativo, por deliberação camarária de 15/2/1960.
Mais tarde apresentou pedido para se desligar definitiva mente do serviço municipal. A exoneração pedida foi aprova da em reunião camarária de 23/1/1965.
Pouco tempo depois foi convidado pelo então Presidente da Câmara Municipal de Peniche, Victor João Albino de Almeida Baltazar, para ocupar o lugar de Vice-Presidente daquele Corpo Administrativo, em substituição de José Acúrcio Vidal de Carvalho, que antes havia sido Chefe da Secretaria Municipal, cargo que aceitou.
Na qualidade de Presidente em exercício testemunhou a passagem das funções de Presidente da Câmara Municipal de Peniche de Victor Baltazar para Francisco de Jesus Salvador. O Presidente cessante confirmou a colaboração que lhe havia sido dada por Antônio Leitão com um espirito de camaradagem, lealda de e nobreza de caracter que sempre teve no exercício das suas funções, o que o tornou credor de muita admiração e apreço.
Prosseguia a sua actividade como Vice-Presidente da Câmara Municipal quando este Corpo Administrativo é confrontado com a noticia de que Antônio Leitão decidira ir com sua familia fixar residência na então Província de Moçambique, por razões meramente particulares.
Os seus dotes pessoais foram reconhecidos pela Edilidade de então num voto aprovado em reunião camarária de 16 de Maio de 1973 que passo a transcrever:
“VOTO DE LOUVOR AO EXCELENTE VICE-PRESI DENTE, ANTONIO DE MATOS LEITÃO - A Câmara considerando que o Senhor Antônio de Matos LEITÃO vai deixar as funções de Vice-Presidente deste Corpo Administrativo por virtude de fixar residência em Moçambique, deliberou, por unanimidade e por proposta do Excelentíssimo Presidente, observado o disposto no artigo trezentos e quarenta e nove do Código Administrativo, exarar em acta um voto de louvor e reconhecimento ao Senhor Antônio de Matos Leitão porque, durante os cinco anos em que serviu o concelho como Vice-Presidente da Câmara, se revelou, sempre e em todas as circunstâncias, um dirigente distinto, digno, aprumado, de extrema lealdade e integridade, o que, aliado à sua privilegiada inteligência, excepcional competência e raros dotes de dedicação ao bem público contribuiu para que os Serviços da Câmara da órbita da sua actuação tenham funciona do sempre com uma eficiência digna de realce, pelo que é com muita mágoa que o vê deixar de pertencer ao ni dos que trabalham para o bem estar e progresso do concelho’
Embora desempenhando ultimamente as funções de Vice-Presidente, o seu nome desde há longos anos que andava em continuo peregrinar pelas direcções de diversas colectividades, organismos corporativos e de assistência, ensino em estabelecimentos particulares em Peniche e tantas outras actividades, com particular destaque para a sua passagem pela Direcção do Grupo Desportivo de Peniche, o que é teste munho das suas qualidades de trabalho e desejos de bem servir dentro da comunidade.
Na véspera da sua partida para Africa, um grupo de amigos tomou a iniciativa de lhe oferecer um jantar no restaurante “Gaivota”, com a presença do então Presidente da Câmara Municipal, Francisco de Jesus Salvador, jantar que decorreu num ambiente de profunda amizade mútua.
Algum tempo depois António Leitão fixou residência na cidade de Montreal, no Canadá, grande centro de emigrantes portugueses, possivelmente à procura de uma vida mais estável para o seu agregado familiar.
No passado mês de Abril, no dia dois, chegou ao nosso conhecimento a triste noticia do seu falecimento naquele longinquo país, depois de prolongado sofrimento provocado por doença a que não resistiu.
Os membros da sua familia, que acabaram por ali criar raízes familiares, concordaram em que os seus restos mortais ficassem sepultados naquela cidade.
Também a viúva, D. Maria Florinda, por là ficou rodeada pelos filhos do casal que são: Carlos Jorge Pinheiro Leitão, de 52 anos; Maria Teresa, de 49; Helena Margarida, de 46; Antônio Manuel, de 42 e João Pedro, de 37.
Com este trabalho quero prestar uma singela homenagem à memória do Senhor António de Matos Leitão , colega de trabalho na Secretaria da Câmara Municipal de Peniche de 1951 a 1960, manifestando o meu reconhecimento por todos os ensinamentos que dele recebi, mesmo depois como meu superior hierárquico no desempenho das funções de Vice Presidente da Câmara Municipal.

sábado, novembro 08, 2008

Postais da iIha da Berlenga












Nostalgia & Talvez Também Saudades para muitos.