terça-feira, março 31, 2009

O CONDADO DE ATOUGUIA E SEUS ANTECEDENTES V


Por: Fernando Engenheiro
Confiscados todos os seus bens, demolido, pelo menos na sentença, o seu palácio de Lisboa, que não habitavam desde o terramoto, foi mandado picar o brasão dos Ataídes que vinha de tão distante tempo, altivo como um troféu bem ganho em mil trabalhos.
Em Peniche foram picadas as armas dos Ataídes na Forta leza, no Baluarte, no Palácio e no Pelourinho (Livro de Contas do Concelho de Peniche de 1757/1760,a fls.26v.):
“Despendeo António da Sylva pello mandado número septimo por elle assinado, o qual vay à linha e conta um pagamento que mandar fazer aos pedreiros que picar as Armas por ordem Regia que o Conde que foy de Atouguia tinha na Fortaleza, Baluarte, Palácio e Peloirinho desta villa, dois mil sete centos e quarenta reis
Também em Atouguia o brasão no túmulo de D. Alvaro Gonçalves de Ataíde situado no interior da Igreja de S. Leonardo e no pelourinho, que fica no Largo de S. Leonardo, levaram o mesmo trato (curiosamente salvou-se um dos brasões do túmulo que na altura, provavelmente, se encontrava camuflado).
Trata-se do brasão de armas que foi usado por estes fidalgos desde o primeiro ao último: de azul, com quatro bandas de prata, coroa de conde, timbre: uma onça saltante, banda de nove peças de azul e prata, lampassadas de vermelho. Embora se desconheça o respectivo alvará de concessão, sabe-se que era a familia “dos Ataídes” das mais distintas de Portugal, pois dela se formaram importantes casas e saíram esclarecidíssimos varões.
No seguimento das despesas que a Câmara Municipal tomou por sua conta encontra-se registado no Livro de Contas do Concelho de Peniche de 1757/1760, a fls. 26-1759) o documento que passo a transcrever:
“Despendeo mais o dito Procurador do Concelho por hordem sua com o caminheiro que da cabeça da comarca trouxe huma ordem e edital pello qual se fazia público que Sua Magestade ordenava que nenhuma pessoa uzasse mais dos appellidos de Távora e Ataíde - seis centos réis”
Também quanto ao sequestre dos bens da familia Ataíde couberam a camara municipal outras despesas como se lê mais adiante:
“Desnendeo mais o dito procurador do Concelho com a acistencia do escrivão da Câmara com lenha, agoa, louça, na apozentadoria do Doutor Provedor, quando veyo fazer sequestro, nas rendas, bens, e regalias de Dom Jerônimo de Atayde, aqui, na Atouguia, e Serra de El-Rei, em cuja deligência se demorou dez dias; com quem o servio e cozinhou na dita apozentadoria, limpeza do estanho e lavage das roupas, com tudo constou do rol do dito Procurador - cinco mil e noventa e cinco réis
A Fazenda Real não perdoou à Câmara Municipal o Jantar (a que no Foral se chamava colheita) valor que o Município pagava a Jerônimo de Ataíde anualmente, e que se compunha de cento e trinta e quatro alqueires de trigo, trezentos e trinta e seis alqueires de cevada, quarenta e oito almudes de vinho e três mil trezentos e vinte reis em dinheiro.
Atouguia da Baleia, logo de seguida, viu a sua importância cair a pique. Por todo o Reino se sentiu excluída e os seus residentes de maior prestigio tentaram por todos os meios mudar as suas residências ou para a capital do reino ou, em ultimo caso, para Peniche. Lembro aqui as familias Delgados, Figueiras, Osórios, Fôios, Quaresmas, Correias, Penteados, Barretos, Quentais, Soares, Barrachos, e tantas outras que na vida pública ocuparam lugares de relevância.
A Câmara Municipal de Peniche teve o cuidado de, em nome do seu povo, requerer ao Soberano a liberdade desta Vila, que tantos anos andou sujeita aos vexames com que a oprimiram alguns elementos da Casa de Atouguia por meios de pleitos injustos com que pretenderam retirar-lhe regalias e liberdades que lhe foram con cedidas pelos Senhores Reis deste Reino, mercês que tiveram principio no reinado de D. Manuel I.
Para isso apresentou-se em Lisboa, uma comissão constituída por membros da Câmara Municipal a saber: Fabião de Carvalho Figueira, Verissimo Palhano Franco e o Doutor José Teodoro Ferreira Souto, para beijar as mãos a Sua Alteza Real o Senhor D. José I.
Note-se que D. Jerônimo de Ataide, que foi o último Conde de Atouguia, casou, a 2 de Dezembro de 1747, com D. Mariana Bernarda de Távora, filha do Marquês Francisco de Assis de Távora e de sua mulher D. Leonor de Távora, tendo nascido a dita Mariana aos 24 de Dezembro de 1722. Diz-se que passava o mesmo D. Jerônimo de Ataíde por ser um homem de pouco talento e incapaz de empreender coisa alguma de maior consideração, grosseiro até à estupidez; todo o seu prazer consistia em consumir o seu tempo no jogo, na mesa, e no vinho. Não sendo susceptível de paixões violentas, o ódio e a vingança não tinham entrada em sua alma, dominada somente pela devassidão.
Envolveu-se na conspiração sem verdadeiramente a conhecer, reputando-a mais como um negócio de família, em que o dever de parente o obrigava a tomar parte, do que por outras considerações.
Sua esposa, que escapou ao cadafalso, é entregue pelo Desembargador João Pacheco, por ordem de Sebastião José de Carvalho, ao Convento de Sacavém, que lhe davam por prisão, deixando para sempre o seu filho Luis Francisco de Ataíde ainda de tenra idade.
A prole da enclausurada deve ter sofrido amarguras. Perdeu-se para as grandezas no segredo das celas ou caiu no anonimato.
Diz-se, porém, só Deus sabe se com verdade, que no ano de 1811, quando Massena invadiu Portugal, alguém o procurou no seu quartel. Apareceu-lhe um homem de rosto enrugado, com o fato em farrapos, acusando idade avançada. Contava que fora rico e tudo perdera porque a Casa de Bragança fora a sua herdeira.
Ninguém diria que semelhante maltrapilho poderia oferecer ao marechal francês o pingue presente de um cinto cheio de ouro. Diante dos seus farrapos julgaram-no algum criminoso que tivesse assaltado qualquer solar, mas não compreendiam porque entregava aquela quantia aos inimigos da sua Pátria.
Ele explicou a origem de tanto dinheiro antes de falar da sua. Ganhara-o ao jogo, porque era dotado de uma sorte infernal; as cartas favoreciam-no como se tivesse pacto com o diabo. E riria muito o desgraçado que, possuindo uma fortuna, preferia o trajo roto e imundo, o cabelo desgrenhado, o barrete vil, às vestes de gala, à cabeleira encalamistrada, a algum chapéu de bom-tom. Fizeram-lho sentir; e ele, com a risada escarninha, declarava não renunciar a adquirir um fato de belo corte para o luzir no dia do seu casamento em França, pois já não abandonaria o exercito do imperador, seu amado, porque desejava destronar os Braganças. Sim. Acompanhà-los-ia, com sua sorte ao jogo e o seu proposito de casar com a primeira comborça que encontrasse, a fim de evitar mais o sangue brigantino que devia existir nas suas veias.
Sòó então disse ser D. Luis Francisco de Ataíde, filho do Conde de Atouguia e neto dos Távoras, justiçados em Belém, cujos bens tinham passado ao erário real. Como disse, só Deus sabe se esta história tem algo de verdadeiro.
Uma década antes de D. Luis Francisco de Ataíde se ter oferecido ao comandante das tropas francesas, mais propriamente a 20/11/1800, o Principe Regente D. João (D. João VI), perdoou a pena legal em que se achava incurso aquele fidalgo e seus dois irmãos, filhos do 11. Conde (pelo processo de 1759), reconhecendo-os como cidadãos inocentes, determinando que o Desembargo do Paço assim o tivesse entendido e fizesse executar, declarando que, para poderem viver com decência no seu novo estado de aí em diante, tinha dado providências por outra repartição. Naquele tribunal não havia noticia de tal em 1822, nem no Erário, apesar de D. Luis e seus irmãos terem concessão, por dois Decretos de D. Maria I, da importância de 50$000 réis anuais. Pelo Marquês de
Ponte de Lima, então primeiro-ministro da Rainha, foi oferecida a D. Luís de Ataide a restituição da Casa de seu pai com a condição de requerer à Rainha D. Maria I o perdão da pena legal, mas este recusou a oferta por saber da inocência de seu pai na tentativa de regicidio.
Tudo leva a crer que houve má-fé por parte dos conselheiros da Corte na época que, possivelmente por um modo aleivoso, queriam condenar inocentes, atendendo a que os seus requeri mentos nunca tiveram deferimento nem qualquer andamento.
Ainda falando do terrível castigo que todos esses fidalgos tiveram com uma sentença que na época causou brado refira-se que, mesmo passados muitos anos ela continuou a ser discutida, comentando-se a crueldade do castigo. Por seu lado, os jesuítas foram também implicados no atentado, o que acabou por resultar na expulsão do Reino da Companhia de Jesus.
Hoje, parece evidente que os excessos cometidos tinham como finalidade aterrorizar a grande nobreza e mostrar a toda a Nação que a autoridade do Estado não admitia contestação. De um só golpe eliminavam-se todos os opositores ao regime. Porém, uma dúvida persiste: Quem ordenou esta violentissima repressão? Seria Pombal, como a maioria das pessoas da época acreditava? Ou será que o ministro disse a verdade, sendo afinal o responsável último D. José, um rei aparentemente fraco e desinteressado dos assuntos de Estado? Com a morte dos dois nunca haverá certeza absoluta, ficando a questão entregue às especulações dos historiadores.
A representação da ilustre Casa dos Ataídes, Condes de Atouguia, passou para a dos Condes da Ribeira Grande, embora tenha sido extinto o condado.

NOTA: A gravura que acompanha este texto corresponde ao brazão dos Condes de Atouguia. No trabalho publicado no número anterior inserimos duas gravuras sem qualquer legenda. Trata-se do padrão ainda hoje existente em Lisboa, em Belém, que assinala o local do patíbulo dos Távoras e seus familiares. Com foram edifica das construções em seu redor não é facilmente visível. Encontra-se nas traseiras da pastelaria que confecciona os conhecidos “Pastéis de Belém

quinta-feira, março 26, 2009

MABOR PORTUGAL

Fábrica de Pneus Mabor, Portugal

Galeria de Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

http://www.flickr.com/photos/biblarte/

Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983.

PUBLICIDADE NOS ESTADOS UNIDOS 1945

General Tire (1945) Holcomb

quarta-feira, março 25, 2009

A MUSICA é UNIVERSAL

Se a fé move as montanhas, então fé na música, que tem o poder de mover as mentalidades.
Desenho de: Alessandro Gatto http://www.alessandrogatto.com/

segunda-feira, março 23, 2009

domingo, março 22, 2009

sábado, março 21, 2009

sexta-feira, março 20, 2009

O CONDADO DE ATOUGUIA E SEUS ANTECEDENTES (IV)

Por: Fernando Engenheiro
Foi 11° Conde de Atouguia D. Jerônimo de Carvalho Menezes de Ataíde, sucessor de seu pai D. Lurs Pedro Peregrino de Carvalho Menezes de Ataide.
Foi “Senhor Donatário das villas de Atouguia, e da de Peniche, Alcayde Mor dellas, Senhor das villas de Vinhais, Monforte, Passo, Lomba, Villar Seco, Carvalho e Sernache; Comendador das Comendas de Santa Maria de Adai Villa Velha de Rodão, da Ordem de Christo, e da de Santa Maria de Olivença, de São Bento de Aviz e Governador da villa e Praça de Peniche”.
o titulo foi-Ihe confirmado por Carta no reinado de D. José a 3/9/1750. Casou com D. Mariana Bernarda de Távora, filha dos 3.os Marqueses de Távora.
Foram grandes os problemas que a Câmara Municipal de Peniche teve com este lustre fidalgo relacionados com os terrenos designados por “Reguengo” (que iam de norte a sul da península da Camboa até à Ribeira) doados ao povo de Peniche no ano de 1506, doação confirmada aquando da re formação do Foral pelo Rei D. Manuel I, terrenos que ficaram a pertencer ao seu povo, o que o dito Conde nunca aceitou por bem por entender fazerem parte da Casa de Atouguia, como Donatario de Peniche.
Foi durante o seu Condado que se deu o trágico terramoto ocorrido a 1 de Novembro de 1755 que assolou grande parte do nosso País. Embora se ten da a circunscrever os seus efeitos à Lisboa, Capital do Reino, na realidade o terra- moto, com maior ou menor intensidade, fez-se sentir
em todo o territorio continental e o sofrimento e a dor espalharam-se por todo o Pais.
O seu palácio designado por “Palácio dos Condes de Atouguia”, o do “Duque de Aveiro”, o dos “Alornas” e o dos “Povolides”, seus parentes, arderam, o que lhes provocou enormes prejuízos materiais. Mas os danos que sofreu não ficaram por aqui: Faleceram:
Francisco Luís da Cunha e Ataíde, Desembargador do Paço e Chanceler, que tinha mais de 90 anos, Pedro de Melo Paz de Ataíde, Secretário da Guerra e Manuel Varejão de Távora, Deão da Sé de Elvas e Inquisidor de Lisboa.
A Câmara Municipal de Peniche quis manifestar-lhe o seu desgosto, conforme documento registado no Livro de Despesas de 1738/1775, a fls. 40v., onde se lê:
“Acharão mais havia despendido com hum próprio que mandaram a Lisboa levar huma carta de pezames que escreverão ao Conde de Atouguia pelas mortes ocorridas - mil e duzentos réis - 1$200”. Porque se temia sempre a repetição do terramoto, passaram a viver na Junqueira em barracas, junto do palácio dos Ribeiras, além dos Tàvoras, os Condes de Atouguia, já que a Condessa, D. Mariana Bernarda de Távora, era filha daqueles grandes e prestigiados fidalgos.
Cessaram por esta época os passatempos favoritos dos fidalgos: “tourear”. Segundo as crônicas de César da Silva, surpreendia muita gente com as suas lides nas arenas de Salvaterra.
o seu Condado durou muitos poucos anos. Terminou de forma trágica com a sua morte, provocada pela maldade dos homens em bárbaro suplicio no cadafalso em Belém a 13/1/1759.
Passo a explicar as origens deste acontecimento de triste memória:
A alta fidalguia não via com bons olhos o primeiro ministro do reinado de D. José, a quem o Rei dera todos os poderes para orientar a vida da Nação permitindo-lhe imiscuir-se na vida particular de certas familias nobres, como pessoa destituída de certa dignidade que o tomasse respeitado no lugar que ocupava. o povo vivia aterrado, o clero e a nobreza perseguidos pelo aguilhão mordaz de Sebastião José de Carvalho e Melo e assim cerravam fileiras em legitima defesa, enquanto o Rei, de espirito brando, se entretinha em devaneios amorosos nas redondezas do Paço. D. José tinha casado, com 15 anos apenas, com D. Maria Ana Vitória de Bourbon, filha de Filipe V de Espanha, enlace que seria penhor de garantia de uma paz desejada e duradoira entre Espanha e Portugal. Porém, a predilecção amorosa do então jovem Príncipe fora despertada no seu coração pela interessante D. Teresa de Távora e Lorena, nove anos mais nova do que D. José, fidalga de sangue real, onde a mocidade radiante concorria para que tivesse surgido aquele grande amor, apesar do Rei já se encontrar casado.
Os Távoras não simpatizavam com Sebastião José, não só por este odiar a nobreza como possivelmente por ser neto do padre Sebastião da Mata Escura e da preta escrava Martha Fernandes.
Por razões diversas, D. José de Mascarenhas, Duque de Aveiro, não via com bons olhos o facto do Rei ter relações amorosas com sua cunhada. Possivelmente seria essa uma das razões que teria levado este titular a procurar meios para atentar contra a vida do Soberano que vinha enxovalhando o nome honrado daquela família.
Também havia uma razão para aniquilar o Rei: era a maneira mais certa para destituir do poder Sebastião José de Carvalho e Melo. Assim a alta fidalguia voltava a dispor do poder e influência de antigamente.
No entanto chegou a admitir-se que o Rei D. José acabou sendo vítima de um atentado premeditado apenas contra a vida de Pedro Teixeira, homem de baixos sentimentos, que acompanhava o monarca nas suas andanças amorosas.
O certo é que numa noite escura, de 3 para 4 de Setembro de 1758, recolhia ao seu palácio de madeira, situado então no Alto da Ajuda, o Rei D. José, na sua sege, na companhia do seu confidente Pedro Teixeira. Súbito próximo à saída do Arco de Alcolena, e depois de dobrada a esquina da Quinta do Melo, ouviu-se um tiro de bacamarte ou de carabina, o que levou o cocheiro da mencionada sege a picar o gado a toda a pressa, ao dar-se conta de que devia tratar-se de um atentado contra alguém. Parece ter chovido metralha sobre o alvo, apesar da sege ir a grande velocidade, o que não evitou que o Rei tivesse ficado ferido num braço. Foi então que o cocheiro recebeu ordens para se dirigir à Junqueira, onde morava o cirurgião-mor do reino, António Soares Brandão, a fim do Soberano se sujeitar aos primeiros socorros.
O País inteiro teve conhecimento da ocorrência, de que o Rei sofrera um atentado contra a sua vida e que se encontrava recolhido no seu palácio de cama a restabelecer-se dos ferimentos.
A Câmara Municipal de Peniche, ao ter conhecimento do trágico incidente, quis associar-se às manifestações publicas que expressavam votos pelas melhoras do Soberano com celebrações litúrgicas, conforme documentos existentes que posse transcrever:
“Acharão mais os ditos officiais da Câmara haver despendido o Procurador António da Sylva com o Sindico dos Religiosos do nosso Convento pello sermão que mandarão pregar em Nossa Senhora dos Remédios em acção de graças pella saúde do nosso Rey mil e seiscentos réis” (Livro de contas do Concelho de Peniche, de 1757/1 760, fls. 29)
“Acharão mais os ditos officiais da Câmara haver des- pendido o Procurador do Concelho por ordem sua e pelo mandado vigessimo septimo quatro mil e sete centos e vinte réis que tantos mereceo a musica que fez ajudar a cantar na missa que em acção de graças pella saude do nosso Monarcha mandarão celebrar na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, entrando na dita quantia mil e seis centos réis com que attendemos à cera que se gastou’ de contas do Concelho de Peniche, de 1757/1760, fls. 29 v.).
Sebastião José de Carvalho e Melo terá aproveitado aquela oportunidade para aniquilar uma das mais nobres e poderosas famílias de Portugal. O seu espirito sanguinário ficou largamente demonstrado em outros actos que praticou como sucedeu quando do incêndio da Trafaria, do das cabanas de Monte Gordo e até do esquartejamento do corpo, em vida, de D. João Batista Pele (O Perfil do Marquês de Pombal, por Camilo Castelo Branco, 2°. edição, pág. 93).
Depois de algum tempo de silêncio, com recurso a testemunhas e intercepção de correspondência, foi-se fazendo luz sobre a tentativa de regicidio, seus autores e instigadores, nos quais sobressaem D. José de Mascarenhas, Duque de Aveiro, seu cunhado Francisco de Assis, Marquês “Velho” de Távora, e a mulher deste D. Leonor.
O mistério que cobria as investigações é rompido na madrugada de 13 de Dezembro quando a tropa prende o Duque de Aveiro, os Marqueses de Távora e de Alorna, os Condes de Atouguia, de Óbidos e da Ribeira Grande, e vários criados dos titulares.
Sob tortura, o Duque de Aveiro começa por atribuir a autoria do crime aos Távoras, que teriam actuado em defesa da honra da família. Quanto à sua participação, diz ter agido por vingança, motivado por injustiças de que teria sido alvo por parte do Rei. E confessa que a ideia do atentado foi sugerida por padres jesuítas, inimigos de Carvalho e Melo.
Sob tortura todos os acusados se incriminaram a si, aos seus e aos jesuítas, com excepção do Marquês de Távora e seu filho mais novo, D. José Maria. Dona Leonor, apontada como “uma das três cabeças da maquinação”, nem foi ouvida mas sofreu o mesmo destino que os restantes.
Ao amanhecer de 13 de Janeiro de 1759, num patíbulo erguido para o efeito, em Belém, iniciava-se um espectáculo macabro. Perante a assistência do povo foi degolada Dona Leonor de Távora; em seguida foram executados seus filhos, José Maria e Luis Bernardo, o Conde de Atouguia, D.Jerônimo de Carvalho Menezes de Ataíde, dois cúmplices plebeus, Manuel Ferreira e Braz Romeiro, D. Francisco de Távora e D. José de Mascarenhas e o seu criado João Miguel.
Os condenados foram amarrados a uma armação em for-ma de cruz e, antes de serem asfixiados pelo garrote, eram lhes quebrados os ossos dos braços e das pernas com uma maça de ferro. O outro criado, Antônio Ferreira, foi amarrado a um poste e queimado vivo, enquanto ao lado era queimada a estátua de José Policarpo, o único que escapou à prisão.
Para melhor conhecimento transcrevo na integra a sentença dada ao Conde de Atouguia, D. Jerônimo de Ataide extraído do processo arquivado no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, constituído por 66 páginas:
“Meterão nesta infanme conjuraçam e precipitavão neste sacrilégio e barbaro delito, foi o Conde de Atouguia Dom Jerônimo de Atayde, genro dos sobreditos Marqueses, Francisco de Assis e Donna Leonor de Távora; o quai se prova que quazi todas as noites concorria com a Condeça, sua mulher nas sediciozas e abominaveis práticas que se tinhão na caza dos Marquezes seus sogros. Prova-se que nas mesmas práticas foy pruvertido pella dita sua sogra até ao ponto de seguir em tudo e por tudo os aboninaveis dictames da dita Marqueza sua sogra, e as detestáveis doutrinas dos Religiosos Jesuítas inspiradas por Gabriel Malagrita, João de Mattos, e João Alexandre; e de cobrar uma grande aversão à Real pessoa, caofelix governo de El-Rei nosso Senhor; Prova-se que por isso concorreo com oito moedas para o indignissimo prémio dos Assassinos que dispararão os sacrilegios tiros, e que entrava com os Jesuitas Malagrita, Joâo de Mattos, João Alexandre, nesta conjuração. Provando-se finalmente que este Reo foy socio nas esperas que se fizerão a Sua Magestade na mesma infaustissima noite de tres de Setembro do anno próximo passado, e que por isto a Condessa sua mulher se achou na factura e desordenada junta, ou assemblea depravantes que na manhã próxima seguinte ao insulto, se teve na forma assima declarada, nas cazas do Duque de Aveiro, citas no lugar de Belém.”
Depois de cumpridas as formalidades que proferiu a Su- prema Junta da Inconfidência, procedeu a sentença definitiva contra o réu Jerônimo de Ata que foi Conde de Atouguia, nos seguintes termos:
“Condennação a que com baraço e pregão, seja levado ao cadafalço, que foi erigido para estas execuçoens; no qual depois de haver sido estrangulado e de se lhe haverem sucessivamente rompido as canas dos braços, e das pernas, será também rodado; e o seu corpo feito por fogo em pô, e lançado ao mar; e o condena outro si em confiscação e perdimento de todos os seus bens para o Fisco e Camara Real; e ainda os que forem de vinculo, constituhidos com bens da coroa na forma acima declarada, ou ainda prazos; além da infamia em que hão por incursos seus filhos, e netos; de lhe serem demulidas arrazadas, e salgadas as casas da sua habitação sendo próprias, e de se derribarem e picarem todas as armas, e escudos daqueles que as tiverem tido até agora.”
Espectáculo horripilante, realizado para prestigio de Sebastião José de Carvalho, que se converteu numa das páginas mais negras da nossa história. Ainda hoje sentimos repulsa por tão bárbaro procedimento praticado com todos os requintes de desumanidade.
(Continua no próximo número)

quinta-feira, março 19, 2009

Peregrinação a Fátima, 1927








Provavelmente os melhores momentos, nestas peregrinações, o agrupamento na hora de almoço, ( e sobretudo o convivio, coisa que hoje em dia tem infelizmente tendencia a desaparecer) é de reparar na foto a quantidade de burros, que muitas vezes faziam parte da vida das pessoas naquela época, para quem era o unico meio de transporte, como também um elemento indispensável nas suas actividades profissionais.

http://www.flickr.com/photos/biblarte/page3/
Fotógrafo: Mário Novais (1899-1967). Data de produção da fotografia original: 1927 [CFT003...

Gentes do Mar (XI)

terça-feira, março 17, 2009

segunda-feira, março 16, 2009

sábado, março 14, 2009

Vª Exposição Agrícola, Pecuária e Industrial das Caldas da Rainha, 1927


MAQUINAS DE COSTURA MUNDLOS
Fotógrafo: Mário Novais (1899-1967).Data de produção da fotografia original: 1927Arquitecto responsável: Paulino Montês

CIMENTO LIZ
Fotógrafo: Mário Novais (1899-1967).Data de produção da fotografia original: 1927Arquitecto responsável: Paulino Montês

Entrada da exposição
Fotógrafo: Mário Novais (1899-1967).Data de produção da fotografia original: 1927Arquitecto responsável: Paulino Montês

Parque da cidade
Fotógrafo: Mário Novais (1899-1967).Data de produção da fotografia original: 1927Arquitecto responsável: Paulino Montês


Galeria de Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

sexta-feira, março 13, 2009

quinta-feira, março 12, 2009

terça-feira, março 10, 2009

domingo, março 08, 2009

Peniche anos 60

Gentes do Mar (V)


9/5/1952

9/5/1952

8/10/1954

8/1/1952

sábado, março 07, 2009